Rossyr Berny - Mostra de Poemas - Poesia Engajada  
     
     
 
     
     Poesia Engajada  

dos homens que sou

dos homens que sou
o menos humano
lambe as feridas da criança pobre
para que adormeça


dos homens que sou
o mais pacífico
faz greve de fome por liberdade
(vendado no meio do trânsito intenso)


dos homens que sou
mais escuro
incendeia o planeta com as luzes todas
que os injustos apagaram até aqui


dos homens que sou
o mais precário
é operário de dezoito horas diárias
(mas dono das chaves da justiça final)


dos homens que sou
o menos amoroso
é todo tão teu
que será até quando
nem eu mais for meu


II
dos homens que ainda serei
o menos justo já arquiteta
infálivel
a multiplicação dos pães e dos peixes
para que a maior vitória
seja sempre a igualdade
entre os homens de boa vontade

ato público na história
brasileira contemporânea


quando destruíram a liberdade
foi época
da construção de barricadas
com nossos corpos de estudantes


agora
que só plantam na mesa a fome
reerguemos barricadas
com nossos corpos de operários

franco-atiradores


sempre em tocaias
os atiradores
são francamente pacientes
se o alvo móvel for humano


ou animal
tanto faz


errarão
nunca


se o alvo for a paz

__________________________________________________
(poema classificado em 1° lugar entre 3.200 concorrentes no projeto poemas no ônibus 1996/97, porto alegre/rs)

poeta força-tarefa

os dias e as dores dos dias
cobram à exaustão o meu ofício:
vim aos mundos ser poetas


ainda que em passos recentes
tenha sido fungo ou bactéria
árvore lodo água montanha ou gramínea
sou poeira cósmica depois de ter sido o big bang


manhãs e adormeceres rebentam-me os ouvidos
pulsos e pulsares do peito me anunciam guerreiro
a lutar pela salvação do homem


impuro ou purificado
tenho texto na testa em letra escarlate:
venho às vidas e aos mundos ser poetas


II
é por fúria de justiça que amo o ser humano|
poeta de ofício
zelo para que acordes em paz
ao teu digno dia de trabalho e amor


acaso me descuide de tanto zelo
acordarás sem a honra do teu labor
nem a amada no leito a acolher-te
por isso a permanente vigília


o verso e a voz em riste
para iguais conquistas de todos


compartilho do teu largo riso por estares feliz
mas culpo-me acaso a felicidade não te venha


III
guilhotina estas mãos escrevinhadoras
se elas não forem os poemas
que te libertarão da miséria e das desigualdades


animal furioso ou homem bom
defendo com adagas de luz
e força-tarefa
a segurança da tua vida de justo


IV
os tempos e as vozes dos tempos
rebentam-me os ouvidos
cobrando os afazeres de meu ofício


o cristo e os cães do peito
gritamgritam para que eu te acalme:
venho às vidas e aos mundos
ser os teus poetas-de-guarda

queda-de-braço

meço forças comigo
a mão direita e a esquerda


meu peito e eu
meu coração e eu
a perna direita e a esquerda


meço forças comigo
meus ombros e eu


no escuro no sonho no espelho no bar
homens se encaram e se decifram


meço forças com deus
queda-de-braço
olho na pupila do olho


confissões
e acerto de contas


quem chorar primeiro
paga a cerveja dos dois

_____________________________________________________
(classificado entre os primeiros lugares dos 2.500 concorrentes no projeto poemas no ônibus 1993/94, porto alegre/rs)


   
 
              
 
 

Voltar à página anterior

 
 

          

Sede Própria: Rua Bororó, n.º 5, Bairro Assunção – Cep 91.900-540 – Porto Alegre/RS
Fones: 51 3307 0221 - 3307 0233
e-mail: alcance@editoraalcance.com.br
MSN: editoraalcance@hotmail.com - Skype: editora.alcance
© 2009 Web Design