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   Dos homens que sou
 

Dos homens que sou

Rossyr Berny


dos homens que sou
o menos humano
lambe as feridas da criança pobre
para que adormeça

dos homens que sou
o mais pacífico
faz greve de fome por liberdade
(vendado no meio do trânsito intenso)

dos homens que sou
o mais escuro
incendeia o planeta com as luzes todas
que os injustos apagaram até aqui

dos homens que sou
o mais precário
é operário de dezoito horas diárias
(mas dono das chaves da justiça final)

dos homens que sou
o menos amoroso
é todo tão teu
que será até depois
de nem eu mais ser meu

II
dos homens que ainda serei
o menos justo já arquiteta
Infálivel
a multiplicação dos pães e dos peixes

para que a maior vitória
seja sempre a igualdade
Entre os homens de boa vontade

 
                          
 
 

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