Rossyr Berny - Posters Poemas - O poder  
     
 
   

O poder

(Leia o poema abaixo)

   

 

O poder

Rossyr Berny

sou todos os mortos do world trade center
pânico e consciência de sermos instantâneo pó
misturados ao coração financeiro do mundo

sou todos os mortos do pentágono
atacados no coração bélico do mundo

sou todos os mortos de hiroxima e nagasaki
vagando feridos até hoje e para sempre
sem cadeia mundial de televisão
para denunciarmos a agonia atômica

sou todos os mortos de pearl harbor
guerras do vietnã do golfo e das que virão

sou todos os mortos de oklahoma
abatidos pelo próprio irmão americano

do que serve a vingança estadunidense
tirar do mapa o afeganistão o iraque a rússia

um dia o brasil?
quem hoje é parceiro de guerras e interesses
amanhã poderá ser trincheira inimiga
cada pessoa deveria ser poderio inatingível
a cada quilômetro quadrado de sua vida
(território divino e seu)

serei todos os mortos da disney e cabul
de bagdá e manhatan
de washington e moscou
de cuba e canadá
de londres e de brasília
se não me chamarem... reconciliação

mas ao invés de tratados de paz
e extermínio da fome no planeta
a guerra inaugura vitoriosa o século XXI

enfrentam-se a casa branca
e as casas pobres do mundo

o planeta não pode ser dividido
entre o bem absoluto do xerife
e sua lei de que o restante é bandido

sou ll de setembro de 2001
ll, duas torres tombadas
e todas as datas do princípio e do fim

para o mesmo acontecimento
chamam-me, bem, glória, paraíso, vida;
igualmente, mal, fracasso, inferno, morte

já me acusaram de cristo e hitler
inferno paraíso diabo deus
semita anti-semita judeu católico protestante

hoje me chamam osama bin laden ou w. bush
e amanhã serei outros nomes de extermínio

sou os mortos de guerras anteriores
e serei milhões de vítimas das próximas
— se não me chamarem... trégua

serei todas as mortes do planeta terra

se não aclamarem meu nome: paz paz paz