Abílio Terra Júnior
Livros:
Alguns poemas:
A janela entreaberta
agora não podes divagar
após o ato consumado
e tergiversar, como uma borboleta
de flor em flor,
com palavras e mais palavraspois te esvaíste em um longo sussurro no deserto
e a flor sedenta se transubstancia
em um esplendor sereno e compreensivonada mais esperes; te entregues
à momentânea tensão que se foiobserve os retângulos das paredes
e o canto do pássaro que pousa, displicente,
sobre um frágil galho que invade a janelaa atmosfera, ora pesada, ora leve
se insinua nos poros;
um sorriso surge e um olhar sedoso
observa teus cabelos
que se espraiam e se avolumama cada instante em que a vida
se declara presente e vitoriosaos jogos foram-se, um a um,
e resta agora um momento
de imponderável sensibilidadedúvidas e certezas espalham-se
e ganham a janela entreaberta
Ali, passava boi, passava boiada
Ali… passava boi, passava boiada
tinha uma palmeira na beira da estrada
onde foi cravado muito coração…Triste Berrante
Solange Maria e Adauto Santos
Trilha sonora da novela ‘Pantanal’neste mesmo espaço selvagem,
em seu compasso de espera
o olhar fraterno do boi se alongava,
me espreitava na doce comunhãoeu o amava e o estreitava
no meu coração tão sincero,
sentia seu cheiro gostoso,
seu porte de cavaleiro,
senhor da sua missãoeram tempos tão fiéis
que nos amávamos, corríamos
ao vibrar do berrante
que clamava ao vaqueiro seu valoro olhar trigueiro da cabocla
expressava sua emoção;
nossos corações se enlaçavam
naquela palmeira solitárianunca mais meu coração
vibrou tão nobre, tão puro,
naqueles tempos de ouro
em que eu sentia a vidadepois, se estreitou, se quedou
nas urgências do tempo veloz;
perdeu-se da sua glória
na sua origem de mestreentre carros que passam velozes
no asfalto negro e perdido,
meu olhar enxerga além
e vê o boi que passa a boiada
E a incógnita persiste
e a incógnita persiste,
pois não sei dos teus sentimentos
e tu não sabes dos meusme persegues com o olhar
quando sabes que não posso ver-te,
mas posso sentir-tete finges interessada em algo
que não eu,
mas me senteso tempo nos deixa marcas,
nos amadurece por dentro
quanto ao sentimentopermanece encoberto
só aflora em raros momentos
em que o coração acordae conta a nossa história
que imaginei e tu também
que toca o nosso íntimoporque tanto mistério,
eu me pergunto;
e imagino que tu tambémse o amor nos ronda
e, às vezes, se cansa e se vai,
pois se sabe presentee não se faz de indulgente,
pois sabe não ser esse o caminho
de tão nobre sentimentoquando ele aflora,
mostra-se poderoso
nos deixa perplexosquando nos sabemos amantes
permanecemos distantes
e a dor nos dilacera





































