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O Folclore da Mulher Gaúcha

“Corpo e alma femininos estão aqui expostos, através da cultura popular que melhor retrata um povo e nos acompanha, por mais que nos distanciemos de nossas raízes.”

Elma Sant'Ana
Elma Sant'Ana


Elma Sant’Ana nasceu em Triunfo/RS. Casada com o jornalista dinamarquês Peter Damborg, vive entre Porto Alegre, Dinamarca e Groenlândia. É Geógrafa e Pós-graduada em Ecologia Humana e Folclore. Nos países acima, além de vários outros, tem apresentado estudos sobre a cultura gaúcha e brasileira. Freqüentemente tem proferido palestras nos CTGs sobre nossa história e costumes.
É autora de 17 livros publicados nas áreas da pesquisa, folclore, história, biografia, poesia, entre eles Menotti - O filho gaúcho de Anita e Garibaldi, Cartas dos Mucker, As parteiras, etc.
Com o presente volume “O folclore da Mulher Gaúcha” abre a trilogia “A Rosa dos Ventres” e que terá continuidade com “A mulher na Guerra dos Farrapos” e “Mulheres Imigrantes”.
Dentro da área cultural foi Secretária de Turismo do Município de Mostardas (1997...), Assessora Cultural de Capivari do Sul (1999-2000), e de Igrejinha (2001).
Tem sido Jurada de vários festivais de música nativista, além de assídua participantes em programas de rádio e tevê.


Introdução

Mesmo para termos uma rápida visão da mulher do Rio Grande do Sul, torna-se necessário ver qual era o seu papel a partir das páginas iniciais da nossa história, desde as tribos que habitaram o território rio-grandense, quando os brancos chegaram.

Examinando a divisão do mapa do Rio Grande do Sul, observamos o traçado incipiente feito pelos jesuítas que tinham por costume dividir em províncias o território onde atuavam. Na província do Ibiá, ou do Ibiaçá, como também se dizia, localizando-se ao norte e nordeste do Estado (os Campos de Cima da Serra, sobretudo), estavam os “senhores da lança”, os ibirayaras. Nesta região, o padre não conseguiu maiores êxitos, com exceção do caaguá, onde hoje fica São Francisco de Paula. Com os caaguaras, os padres conseguiram travar amizade e foi regressando de uma viagem à aldeia destes índios que morreu o padre Cristóvão de Mendonça.

Os ibirayaras andavam frequentemente nus, mas as mulheres costumavam trajar uma espécie de saiote de fibras de urtigão, vegetal que manejavam muito bem. Torcendo, elas faziam cordas de arco ou redes de dormir. Às vezes usavam uma manta que as cobria dos peitos aos pés, manta, essa, entretecida do mesmo material, conforme descrição e ilustração de Nelson Boeira Faedrich.

 

Valor R$ 10,00

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