Fernanda Pedrazzi

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Livros: Viagem através dos ventos

Palavras do Editor:

Viagem através dos ventos e dos tempos

Igual a um bom vinho que o tempo encarrega-se de maturar, igualmente em Fernanda Pedrazzi a continuidade de publicações a torna mais interessante à cada gole.
Digo, a cada título.
Logo na abertura de Viagem através dos ventos, anuncia-se supresa com o próprio poetar, com o próprio outro:

“Eu sabia não que o homem
ia pegar no sono deste jeito
e arrancar terror de dentro desse peito
que palpita angústia e enfermidade
sobre o leito … “

A surpresa do ser eviscerado no verso e a contundência com a vida chocam a poeta. Mas o melhor de tudo: ela arrefece o golpe e o traduz em arrojo poético. E manda seus versos vivíssimos através dos ventos. Entrega-os ao mundo com um lenço branco de despedida, a exemplo de Pessoa.

Fernanda Pedrazzi é uma poeta experiente. Seu livro inaugural Espelho de Estrelas já anunciava vestida de gala no trono da grande Poesia. E o tempo vem confirmar a promessa luminosa nesta sua Viagem através dos ventos. E dos tempos.

Rossyr Berny – Editor

Alguns Poemas:

Manobras humanas insensatas

Eu não sabia que o homem
ia pegar no sono deste jeito
e arrancar terror de dentro desse peito
que palpita angústia e enfermidade
sobre o leito…
Da devassidão desmedida e crua
Ó peito antes bento
da aurora natureza
palpitava leve sob um céu pleno de beleza
Hoje espalha sangue e vergonha oprimido!
E sobre esse leito agora vil e desvalido
Covil das manobras insensatas
Sonha o homem num pesadelo
sob a tempestade
Mas nem sonha que é devorado
pelas baratas!

Repartir (na Internet)

Jamais remover a arte
a cultura
o carinho…
Não à morte
ao fracasso
à violência…
Os filhos…
Eles precisam de inspiração
de uma palavra amiga
de uma informação…
Um e-mail
quando enviado com a alma
equivale a um abraço
um afago
um aperto forte de mão…
Pois a mensagem de vida compartilhada
reacende e ilumina
o coração!

Não quero lordes, nem condes, nem reis…

Não quero lordes, nem condes, nem reis…
Quero um príncipe… encantado… sincero…
Não um cargo… um pronome
Que se torna abstrato para quem procura
Um Príncipe-Poeta… Rei na essência…
Conde-Lorde na delicadeza… no sentir…
Que colha flores nos jardins das poesias…
E dê os frutos à princesa que o espera…
Liricamente…
Como nos contos de fadas…

Minh’alma em versos

Estou aqui, nesta página inerte,
mas em premência, com uma profunda, imensa
urgência, expondo minh’alma em versos e rimas…
Sei que não tenho saída!
Dirão, então, eu sei, que sou louca,
mas não sai de minha boca
uma sílaba dos sonetos
que escorrem em meu recôndito oceano…
Pois, confesso em minha loucura de poeta
que dialogo apenas
com esta folha de papel em branco!

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