Marli Silveira tem pouca idade, mas muita poesia. O tempo de exercício
com a palavra dá dignidade e alcance humano à sua obra.
O mundo é responsável por este Pedaços; pelo sorriso
que se abre ao amanhecer e pela dor do dia pesado, ao anoitecer.
A poeta sente pesarem sobre seus ombros os problemas insolúveis
da contemporaneidade. Quer, sonha, oferece sua parcela de sacrifício
e auto-imolação. Mas é pouco. A vida, ávida,
sempre exige mais, devoradora que é. Marli não cessa seu
verso, confia nele. Defini-se, dando-se a conhecer, como dizendo-se
desarmada, pacífica, antibélica:
“Sou
moderna como o tempo
e o desamparo veste minha existência
piso sobre a terra que não é terra
e mais perto do nada me encontro
Resisto com cuidado aos delírios
procurando portar-me em consciência”
Mesmo em Pedaços, Marli Silveira é inteira poeta, inteira
mulher, inteira guerreira, empunhando esperanças – apesar
dos reveses habituais. Sua mensagem corajosa já mostrara-se forte
em Angústia & Reticências, entre outras publicações.
Somente a arte, neste caso, a poesia, é capaz de montar uma grande
represa no coração do Homem para represar a esperança
e o brio para consumo geral.
Rossyr
Berny – Editor