Jorge Hausen
Sobre o autor:
Gaúcho de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, mora desde 1972 na cidade do Rio de Janeiro.
Geólogo por profissão, trabalha na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, Serviço Geológico do Brasil.
Sua paixão pelos livros vem da infância, da família, sendo que há muito colabora em publicações literárias. É um dos autores dos livros Testemunho III e Testemunho V, ambos da Editora Oficina do Livro – OLIP, da qual participou do Conselho Editorial.
Em 1995, colaborou com escritos no Jornal Poética daquela mesma editora e publicou seu primeiro romance A Marca de Caim, ainda pela Editora Oficina do Livro, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre, sendo reeditado, em 1998, pela Editora Tempo e Espaço.
Em 2000, editou o romance Silva Rerum ou A Floresta das Coisas, Editora Lidador, RJ, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre, em Brasília e no Rio de Janeiro.
Em 2002, publicou no Jornal de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, em forma de folhetins semanais, o romance A Marca de Caim.
Colaborou com contos, em 2001 e 2002, nas antologias anuais do Círculo de Pesquisas Literárias – CIPEL, lançadas na Feira do Livro de Porto Alegre.
Em 2007, lançou o livro A Prenda de Seu Damaso e Outros Contos, o qual foi contemplado com o 2º lugar do prêmio Jabuti, na categoria Contos e Crônicas. Também lançado na Feira do Livro de Porto Alegre e no Rio de Janeiro.
Em 2009, participou com um conto da Antologia Especial da Oficina Literária – OLIP (RJ).
Fotos:
Livros:
A surpresinha e Outros Escritos
A prenda do Seu Damaso
Prefácio do Livro A surpresinha e Outros Escritos:
Criar mundos
Luiz Antonio de Assis Brasil
Este livro de Jorge Hausen é a confirmação de um [excelente] ficcionista. O que faz um ficcionista, pergunto? Responder que faz ficção é, sob certo aspecto, uma tautologia. Mas a coisa não é tão simples assim. “Fazer ficção” não é apenas criar um mundo imaginário – porque isso qualquer mente fantasiosa pode fazer –; trata-se, sim, de criar um mundo imaginário que funcione como um mundo real, isto é, em que seja respeitada a relação de causa e efeito entre os episódios, e com tal verossimilhança nesse enlace que, ao fim e ao cabo, seja entendido como real.
É essa virtude que encontro neste livro. A condição preliminar, Jorge Hausen a possui: o sentido da fabulação, isto é, nosso autor sabe contar uma história, e sabe contar muito bem, com períodos gramaticais limpos, sem tropeços nem armadilhas. Ele sabe usar le mot juste, e isso não é pouco. O passo seguinte é o da qualidade intrínseca desses textos, e aqui já estamos a falar em literatura. Impressiona-me o bem articulado jogo entre o dizer-não-dizer, isso que é a tortura de qualquer escritor: o que digo? O que não devo dizer? Um ficcionista vive sempre sobre o fio da navalha: ou é explícito demais ou é obscuro. Jorge Hausen sabe encontrar o equilíbrio; assim, nada é dado de bandeja ao leitor, mas não lhe é sonegado aquilo que ele necessita saber.
Na novela que dá título a esta obra temos uma história com duas tonalidades sucessivas: na primeira, prepondera a des-preocupação, o estilo brejeiro e carioca, os dias do carnaval, em que se instala um grande amor, uma paixão temperada por uma personagem inteira, forte e arrasadora: Silvana; ela dá as cartas, com uma vida pregressa inquietante. Na segunda parte, instala-se a tragédia; mas não se trata de algo saído do nada, mas que,
ao contrário, está nas entrelinhas das falas e ações de Silvana. O golpe que recebemos é desde logo anunciado – nós é que não nos havíamos percebido. Aí está o que eu queria dizer com o jogo do dizer-não-dizer, e que Jorge Hausen sabe jogar muito bem. No final da novela reinstaura-se o clima anterior, o do início, com uma descoberta que traz, à história, o retorno da mesma Silvana que havíamos deixado lá no princípio. E não é sem ternura que isso acontece. Não tenho vocação de spoiler, por isso deixarei ao leitor o prazer intelectual da revelação, mas posso garantir que irá surpreender-se.
As histórias seguintes à novela, que o autor houve por bem incluir no volume, apresentam-se, e assim as entendo, como um depoimento de geração. Há crônicas – inclusive uma histórica, muito saborosa –, há contos, há o depoimento do quotidiano da classe média carioca, seus valores, suas preocupações. Em todos esses textos, há uma forte presença pessoal do autor, especialmente aqueles narrados em primeira pessoa, a maioria. O mesmo autor de Surpresinha tem muito a contar, e o faz com propriedade do início ao fim do livro. É, sim, um autor que sabe criar mundos.
Boa leitura.





































