LIVROS
:: INTENSAÇÕES ::
Carlos Décio Silveira do Amaral

Em busca do tempo perdido não é a busca do tempo que se perdeu, irreversível; não é a saudade como revés de um parto; tampouco é o tempo que se perde inexpressivo (pois não houve o quê). Intensações realiza o que aprendemos com Proust como invenção de memória, ativa e alegre: potente. Invenção de mãe, que deu à luz outra vez agora a um filho-palavra, Poesia. Carlos pedia: deixem que as palavras em mim se deitem. Madalena cobre as palavras em livro, com cuidados de mãe, e nos re-entrega Décio, o inominável, como um diamante que partindo a luz explode em sete cores revelando então...

 




              Revelando nada! Jogando, ludicamente, como sempre fez conosco. Dizia: faço coisas que tento não lembrar/que era eu ou tu/não tínhamos tempo [...] Se junto tudo em mim/ de nós, de ti, a sós. O vitalismo do jogo, a unidade plural do a sós povoam com intensidade as páginas deste corpo-livro de poemas escritos em bares, ruas, no frio de Bagé ou no aconchego de lareiras, pelas casas, pelas cidades... um rascunho, um rastro, um traço espelhado e brilhante produzido no e para o jogo.
              A forma do jogo, no entanto, não antecipa seu destino. Toda esta matéria - feita da rua, da experiência, da expressividade, da fúria, da delicadeza, dos afetos, dos amigos, dos pais, dos irmãos, mas também do País, da política, da homeopatia, de uma certa semiótica, da filosofia de Deleuze a que tivemos acesso juntos pela primeira vez na casa de uma grande amiga, eterna orientadora – emerge agora reconfigurada, invenção de uma outra memória, de um tempo que se ganha. Em Intensações as palavras estão ali, deitadas, guardando todos os seus mistérios referenciais e aguardando novos encontros a serem experenciados.
             Intensações brinca conosco, esse raio lindo, incontido, nos faz viver bem mais uma espécie de vida cujos corpos são de outra natureza: são de intensidades e de sensações. Um pouco disto Carlos queria: ele queria um jeito de estar no ar e ao mesmo tempo conseguir dar passos soltos. Na praia, à noite e com vento, sem som nem música, era capaz de ouvir silenciosamente Gracias a la Vida. Intensações é o canto de muitos (de) nós, é o canto de Carlos.

Alexandre Rocha da Silva


Dr. Carlos Décio Silveira do Amaral ou Kamal nos momentos de grande inspiração foi meu grande amigo, companheiro com quem compartilhei por muito tempo muito das minhas experiências pessoais.

O ritmo de suas sensações, seu pensamento em profundidade e sua percepção aguda, fizeram dele um ser múltiplo e potente. Um ser difícil de ser encerrado em categorias estanques. Podemos dizer que ele não era apenas um médico, um fotógrafo, um semioticista, um poeta. Contudo, a complexidade desse seu saber e a força de sua natureza fizeram dele um grande sábio, um avatar da nova era. Foi sem dúvida um ser que viu muito e trazia no seu olhar as sombras e os brilhos de um saber holístico. Sobretudo, Carlos Décio foi um ser apaixonado pela vida. Um ser capaz de afirmar sua diferença e de potencializar os processos e os corpos com os quais se envolvia. Buscava integrar os terrenos e os corpos para que deles brotassem vida e paixão.

A homeopatia foi sua ferramenta privilegiada na conquista de uma saúde integral. Também a filosofia, especialmente a de Espinoza, Nietzsche e Deleuze, foram ferramentas preciosas na sua construção de um saber sobre as dimensões mais profundas da existência. Esse saber filosófico marcou intensamente seu percurso numa perspectiva criativa e abismal. Sua percepção era profundamente sensível às intensidades do desejo e às flutuações das condições de uma existência vibrante, num ritmo entre a lucidez apolínea e a embriaguez dionisíaca.

Carlos Décio Silveira do Amaral, Kamal, nos lega uma obra breve mas potente e cheia de mistérios como somente ele poderia ter feito.


Dr. Fábio Pezzi Parode
(Doutor em Artes e Ciências da Arte pela Universidade de Paris 1 – Panthéon Sorbonne)

O ritmo de suas sensações, seu pensamento em profundidade e sua percepção aguda, fizeram dele um ser múltiplo e potente. Um ser difícil de ser encerrado em categorias estanques. Podemos dizer que ele não era apenas um médico, um fotógrafo, um semioticista, um poeta. Contudo, a complexidade desse seu saber e a força de sua natureza fizeram dele um grande sábio, um avatar da nova era.
Dr. Fábio Pezzi Parode


Intensações realiza o que aprendemos com Proust como invenção de memória, ativa e alegre: potente. Invenção de mãe, que deu à luz outra vez agora a um filho-palavra, Poesia. Carlos pedia: deixem que as palavras em mim se deitem. Madalena cobre as palavras em livro, com cuidados de mãe, e nos re-entrega Décio, o inominável, como um diamante que partindo a luz explode em sete cores revelando então...
Alexandre Rocha da Silva

Intensações é um título tão singular e belo que não haveria desdouro em nominar um livro com páginas em branco. Mas Intensações, carregado com os poemas de Décio Silveira do Amaral, afirma-se como uma obra imorredoura e permanente, igual a memória de seu autor. Décio partiu, mas deixou baús carregados de barras de ouro e diamantes: palavras de fulgurâncias.
Rossyr Berny – Editor
Orelha 2

Carlos Décio nasceu em13 de dezembro de 1960 na cidade de Bagé, Rio Grande do Sul. Passou a residir em Porto Alegre no ano de 1975. No ano de 1985 formou-se em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Voltado sempre para o ser humano como um todo, desenvolveu diversas terapias e abordagens corporais, onde dedicou-se ao estudo do movimento e das dimensões dos corpos . Especializou-se em Homeopatia pela Associação Médica Homeopática do Paraná em 1990 e, a partir daí, usou a homeopatia como ferramenta para compreender e ajudar a transformar vidas. Tornou-se Master Avatar pela Star´s Edge International, no EUA.
Foi Mestre em Semiótica pela Universidade do Vale dos Sinos, onde também obteve o título de Doutor em Processos Midiáticos no ano de 2003
Poeta, altruísta, criativo, inconformado, retratou em suas poesias toda complexidade desse ser.
Faleceu em setembro de 2005

Valor: R$40,00

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