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:: Musas ::

João Ribeiro da Luz

 


 

JOÃO RIBEIRO DA LUZ
 

João Ribeiro da Luz nasceu em Erexim – RS, filho de Santo Ribeiro da Luz e Elzira Ribeiro da Luz.
Atualmente vive em Porto Alegre – RS, onde foi Diretor Administrativo do IGTF – Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore no período de 1999 a 2002.
Participa das antologias “Poetas pela Paz e Justiça Social”, “Casa do Poeta Rio-Grandense 43 anos” e “Congresso Brasileiro de Poesia”.
Todos livros lançados na 53ª Feira do Livro de Porto Alegre.


 

Nestes exatos 36 poemas de Musas, o inspirado poeta João Ribeiro da Luz desnuda por inteiro sua alma. Deixa à mostra seu coração dentro de um peito ofegante pela presença da musa, ou pela espera dessa; afloram-lhe veias, artérias e a musculatura toda. Quase se eviscera. E não seria exagero. Somente o poeta permite-se a um só tempo o flagelo e a louvação à amada.

                Aqui, mais do que homenagear a sua musa, João Ribeiro ergue o véu que o tempo estendeu na história e traz, através de uma pesquisa realizada por Rafael Marczal de Lima, à lembrança, as musas de grandes apaixonados homens que melhoraram a humanidade, Calíope, a musa da poesia épica; Beatriz, de Dante; Dona Maria, de Camões; Titânia, de Shakespeare; Eugênia, de Castro Alves; Ophélia, de Fernando Pessoa; Francisca Júlia, de Olavo Bilac; Matilda Urrutia, de Neruda. Mulheres que, além de musas, foram importantes; mais ainda por motivarem nos poetas versos que hoje continuam vivos na história.

                Um achado este título e este livro. E joão Ribeiro da Luz o faz com maestria, através de um versejar simples, mas contundente.

                Se não por mil outras razões, somente pela poesia a vida já valeria a pena. Se escrita com pena inspirada.

 

 

Rossyr Berny - Editor





QUATRO ESTAÇÕES


Para ser feliz não basta a lembrança
Te quero, te busco, te encontro em meus sonhos
E em sonhos revivo os nossos momentos
Que foram prenúncios a nós destinadas
De tantos verões para ver-te passear
De tantos invernos pra te acariciar
De tantos outonos pra matar a saudade
E primaveras com flores só pra te ofertar
Por isso querida, a aurora da vida
Será para mim, novamente, te amar.

 

TUDO
 


De tudo um pouco é pouco
Para quem merece o mundo
Penso em você e num segundo
Vem-me à mente a maior lista
Passo a vida em revista
Para escolher seus presentes
Das flores aos transcendentes
Vou agora lhe falar
Nestes versos desfilar
De mimos a continentes.

Rosas brancas e vermelhas
São a paz e a paixão
Dar-te o sentido da união
De forças tão diferentes
É o motivo dos presentes
Que se pudesse eu daria
O maior buquê eu faria
Mesclaria bem as cores
E seria mais que flores
O que eu te ofereceria.

No amanhecer, do orvalho
Que são gotas de cristais
Eu faria o que jamais
Um joalheiro fabricou
E nenhum colo ostentou
Peça assim tão reluzente
Seria outro presente
Que só pra você existiria
Traduziria a alegria
Que sinto ao ver-lhe contente.

Do céu traria as estrelas
Para adornar teus caminhos
Traria também passarinhos
Pra acompanhá-la cantando
E assistir você passando
Como uma pluma ao vento
Embelezando o momento
Único da tua existência
Reafirmando a Excelência
Pois você é um monumento.

Da terra eu embalaria
As montanhas majestosas
As matas maravilhosas
E os vales verdejantes
E poria em instantes
Aos teus pés estas belezas
E não teria incertezas
Você merece bem mais
Presentes são imortais
Não são como as realezas.

Das águas eu me pergunto
Se do rio ou se do mar
O que mais posso lhe dar
Sendo assim tão especial
Qual será o ideal
De uma mulher assim
Que é tudo para mim
E de quem tão pouco eu sei
Só de você o que guardei
Foi o cheiro de jasmim.

Do pôr-do-sol eu daria
A imagem bela, ofuscante
O sentimento vibrante
De quem vê com o coração
Entregando-lhe a emoção
De um fim de tarde sereno
Com vento leve, ameno
Pra apaziguar tua alma
E confortar-lhe com a calma
De um mundo nosso... pequeno.

Tudo isto eu lhe daria
Mas isso me é impossível
O que lhe dou é invisível
Mas é o que tenho de meu
É o amor que Deus me deu
É um carinho infinito...
É um desejo como um grito
Acompanhado da ternura
Para acalmar a loucura
Do meu coração... proscrito.


QUANDO


Quando estiver em meus braços
Sesteando nos meus pelegos
Conhecerá aconchegos
Perdida noutros espaços
Esquecerá os embaraços
Que causou, essa insistência
Verá que a nossa existência
Só tem sentido sê amando
E eu estava lhe esperando
Em busca da sua essência.

Quando essa noite chegar
Será uma noite estrelada
Uma noite enluarada
Feita pra gente se amar
O tempo irá parar
Dentro das quatro paredes
Mataremos nossas sedes
E os desejos mais profundos
Juntaremos os dois mundos
Revivendo eternidades.

Quando você se entregar
Conhecerá a liberdade
Fazendo a minha vontade
Seu corpo vai tremular
Sua razão irá faltar
Porque o corpo e o desejo
São companheiros do beijo
Que tiram a gente do mundo
Fazendo o amor mais profundo
Ser carne, pele e gracejo.

Quando o dia amanhecer
E o sol estiver nascendo
Eu continuarei querendo
Tudo de novo viver
Dos horários esquecer
E novamente te amar
Pois até a noite chegar
Pra te encontrar novamente
Viverei pelo presente
De outra vez, o amor falar.
 


Valor R$ 16,00


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