LIVROS
:: A DOR NÃO DORME / CANTARES DE UM VULCÃO QUASE EXTINTO ::
June Russowski e Miguel Russowski

Caro leitor.

           Este é meu nono livro de poesias. Depois de Confeitos de Quimera, editei em parceria com José Fabiano, meu irmão de sonhos, O Profano e o Sagrado (trovas e sonetos) que, como os demais, deve estar em mãos dos apreciadores do gênero.
           Desde então, os trabalhos que me pareceram melhores, continuei enviando a concursos e tendo percepção da boa aceitação e para que não se extraviassem, resolvi pô-los em livro.
            Aos 84 anos, temo que meu entusiasmo pela poesia não encontre um físico à altura, para dar-lhe a forma mais conveniente ou bela que pretendo, ou gostaria. Mas vou tentar... enquanto tiver fôlego.

 





O soneto e a trova são formas fixas de poesia que continuam com grande vitalidade e cultivo. Nelas sempre procuro dar vazão ao que ocorre no dia a dia. Vez em quando divago em poesias livres e modernas, mas me sinto como peixe fora d’água nestas modalidades, posto que neste livro incluo algumas.
Minha filha June (1952-1993) “A que não dormia”, – soneto que já publiquei em outro livro – também praticou poesia (livre) de ótima qualidade. Várias delas escolhi para valorizar o conjunto.
June sofreu um acidente de avião, foi abandonada pelo marido, que era quem pilotava o aparelho. Ficou paraplégica, com duas filhas. Ainda tentou trabalhar no ensino dando aulas de Inglês, mas, fragilizada, passou a morar em nossa casa até que a morte a levou.
Seus escritos são, na maioria, desta época de sofrimento e os leitores perceberão nos seus versos, toda a amargura que possuía.


UMA CARTA


“Não há caminho de retorno ao lugar de quem nós fomos”.
Senti vontade de lhe escrever. Certas palavras suas ficaram em minha mente, mascaradas por você como “verdades” de sua própria criação. É realmente interessante o mecanismo que você criou dentro de sua cabeça para a defesa e a maneira de continuar vivendo no propósito de ainda tentar ser feliz e, bem, admitir a sua culpa e seus erros, não eliminam nem consertam as coisas que foram provocadas por você. É tal incoerência dentro de você que não admite. A gente faz as coisas porque quer e não porque está sempre confuso, perdido e com a cabeça ruim, como se diz.
– Como é que agora você pensa? Antes não pensava?
Como é triste ver você assim; sem fio, sem brio e destemperado. Pensar como você pensa é a maneira mais fácil e cômoda para justificar anos de inconseqüência. Foi o destino – Estava escrito, tinha que acontecer – Fácil? Fugir é sempre mais fácil. Você não cresceu. Mental e espiritualmente.
Tantas coisas boas jogadas fora. Tantas vidas destruídas, tantas vidas começando com o amargo sabor de um passado sem compasso, revoltante e amargurado. Por que é que eu tenho que aceitar isto?
Não tenho porque não é justo, não saber é impossível e porque não seria certo. Que tipo de sentimentos nos atinge depois de tudo isso?...

 

Valor R$15,00