Como meus avôs eram naturais de Maquiné e lá
residia uma tia, as visitas freqüentes de meu pai a irmã
despertavam o meu interesse e facilitavam a cata de informações.
Lá também se localizava o Cemitério dos Trespach
onde o avô de meu avô estava sepultado. Ele e a esposa que
foram os primeiros a serem sepultados no local. Mas é o pai dele
onde estava? Quem era o meu tetravô?
Um
pouco mais tarde em janeiro de 1996 escrevi para a Alemanha. Para a
EKD – Evangelische Kirche in Deutschland, que eu sabia de antemão
era o órgão central da minha igreja (a IECLB) na Alemanha.
Achei que indo direto ao país de origem acharia mais fácil
as informações que procurava. Recebi pouco mais de um
mês depois, em 13 de fevereiro, a minha primeira carta vinda da
Alemanha. Nem imaginava que seria a primeira de muitas. Infelizmente,
e não poderia ser diferente, o Pastor Peter Weigand do Kirchenamt
(Oficina Central da Igreja) solicitou que eu entrasse em contato com
a Secretária Geral da IECLB em Porto Alegre.
Passaram-se
anos até que fosse possível encontrar alguma informação.
E a dificuldade estava, ou era, o próprio sobrenome. Trespach,
onde encontrar um Trespach? A literatura no Brasil não menciona
a família Trespach. Na minha cidade tinha uma família
Tresbach que eu desconsiderava como parentes. Para mim nessa época
um Trespach era um Trespach e um Tresbach um Tresbach. Essa visão
me entorpeceu a pesquisa durante muito tempo.
Só com o advento da Internet é que foi possível
reiniciar a pesquisa com um campo mais amplo e muito mais fácil.
Agora um e-mail ia e vinha da Alemanha na mesma semana, no mesmo dia,
às vezes na mesma hora.
Em
2003 eu conheci o pessoal do INGERS – Instituto de Genealogia
do Rio Grande do Sul. O então presidente administrativo Renato
Franzen me forneceu o trabalho do professor e pesquisador Henrique Gaspar
Stemmer. Esse trabalho era simplesmente uma mina de ouro. Todos os registros
evangélicos, desde o inicio da imigração alemã
ao estado, que contivessem Trespach e Tresbach, estavam ali. Só
assim descobri que se tratava da mesma família. E mais, haviam
duas ortografias novas para mim: Dressbach e Dresbach. Essa documentação,
mais de 300 registros evangélicos, me levaram ao meu tetravô,
ao pai dele e finalmente ao imigrante.
Em outubro de 2004 encontrei um dos meus maiores colaboradores. O Pastor
Élio E. Müller se tornou importantíssimo para a recuperação
da história da família no Brasil. Nessa mesma época
através da Internet descobri com a ajuda dos pesquisadores, Andreas
Sassmannshausen e Peter Zinnkann, o primeiro ancestral na geração
anterior a imigração, na Alemanha.
Em
fevereiro de 2005 encontrei outro inestimável colaborador. O
pesquisador Klaus von Berg foi a chave para as demais descobertas que
não pararam de surgir desde então.
De 1996 até agora 2007 acumulei dezenas de cartas, centenas de
e-mails e milhares de anotações, pilhas e mais pilhas
de papel. Fiz dezenas de visitas a museus, arquivos, bibliotecas e pessoas.
Perdi a conta de horas na Internet. Também,
a muito deixei de contabilizar os gastos com a pesquisa.
Agora
está tudo aqui para que você possa encontrar a resposta
a suas perguntas de maneira muito mais fácil do que eu. Com certeza
não encontrei respostas para todas as perguntas, até porque
com as descobertas que fiz, muitas outras surgiram. Mas tenho certeza
de que é o melhor trabalho sobre a família que se pode
encontrar. E me arrisco a dizer que nisso se inclui a literatura alemã.
É
com imensa alegria que lhes entrego a minha pesquisa.
Tenho
apenas um pesar. O de não poder mostrar a meu avô...
Osório,
fevereiro de 2007
Rodrigo Trespach
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