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:: PASSAGEIROS NO KRANICH ::
Rodrigo Trespach

Apresentação


A Alemanha exerceu em mim desde cedo um grande fascínio.
Desde a infância, até onde me lembro, a Alemanha esteve presente. Buscar as minhas origens naquele país tornou-se então o caminho natural das coisas. Mas na época eu não tinha idéia de como buscar, nem por onde começar. A quem primeiro recorri, foi meu avô: “Vô quem era seu pai? e o pai dele? O que faziam, quando morreram?” Foram as minha primeiras perguntas e também minhas primeiras descobertas. Infelizmente o meu avô não tinha resposta para as minhas muitas perguntas. Ele que nascera em um ambiente tipicamente alemão foi obrigado repentinamente a esquecer tudo que lembrasse a Alemanha quando se iniciou a Segunda Guerra Mundial. Nessa época ele tinha a mesma idade que eu quando iniciei a interrogá-lo sobre as origens da família, com a diferença de que em sua infância era proibido falar, pensar ou ter interesse pela pátria de seus antepassados. Aqui surgiu a primeira e mais difícil barreira de transpor: Quem era o bisavô de meu avô?



                
                   Como meus avôs eram naturais de Maquiné e lá residia uma tia, as visitas freqüentes de meu pai a irmã despertavam o meu interesse e facilitavam a cata de informações. Lá também se localizava o Cemitério dos Trespach onde o avô de meu avô estava sepultado. Ele e a esposa que foram os primeiros a serem sepultados no local. Mas é o pai dele onde estava? Quem era o meu tetravô?
                   Um pouco mais tarde em janeiro de 1996 escrevi para a Alemanha. Para a EKD – Evangelische Kirche in Deutschland, que eu sabia de antemão era o órgão central da minha igreja (a IECLB) na Alemanha. Achei que indo direto ao país de origem acharia mais fácil as informações que procurava. Recebi pouco mais de um mês depois, em 13 de fevereiro, a minha primeira carta vinda da Alemanha. Nem imaginava que seria a primeira de muitas. Infelizmente, e não poderia ser diferente, o Pastor Peter Weigand do Kirchenamt (Oficina Central da Igreja) solicitou que eu entrasse em contato com a Secretária Geral da IECLB em Porto Alegre.
                   Passaram-se anos até que fosse possível encontrar alguma informação. E a dificuldade estava, ou era, o próprio sobrenome. Trespach, onde encontrar um Trespach? A literatura no Brasil não menciona a família Trespach. Na minha cidade tinha uma família Tresbach que eu desconsiderava como parentes. Para mim nessa época um Trespach era um Trespach e um Tresbach um Tresbach. Essa visão me entorpeceu a pesquisa durante muito tempo.
Só com o advento da Internet é que foi possível reiniciar a pesquisa com um campo mais amplo e muito mais fácil. Agora um e-mail ia e vinha da Alemanha na mesma semana, no mesmo dia, às vezes na mesma hora.
                   Em 2003 eu conheci o pessoal do INGERS – Instituto de Genealogia do Rio Grande do Sul. O então presidente administrativo Renato Franzen me forneceu o trabalho do professor e pesquisador Henrique Gaspar Stemmer. Esse trabalho era simplesmente uma mina de ouro. Todos os registros evangélicos, desde o inicio da imigração alemã ao estado, que contivessem Trespach e Tresbach, estavam ali. Só assim descobri que se tratava da mesma família. E mais, haviam duas ortografias novas para mim: Dressbach e Dresbach. Essa documentação, mais de 300 registros evangélicos, me levaram ao meu tetravô, ao pai dele e finalmente ao imigrante.
Em outubro de 2004 encontrei um dos meus maiores colaboradores. O Pastor Élio E. Müller se tornou importantíssimo para a recuperação da história da família no Brasil. Nessa mesma época através da Internet descobri com a ajuda dos pesquisadores, Andreas Sassmannshausen e Peter Zinnkann, o primeiro ancestral na geração anterior a imigração, na Alemanha.
                   Em fevereiro de 2005 encontrei outro inestimável colaborador. O pesquisador Klaus von Berg foi a chave para as demais descobertas que não pararam de surgir desde então.
De 1996 até agora 2007 acumulei dezenas de cartas, centenas de e-mails e milhares de anotações, pilhas e mais pilhas de papel. Fiz dezenas de visitas a museus, arquivos, bibliotecas e pessoas. Perdi a conta de horas na Internet.                    Também, a muito deixei de contabilizar os gastos com a pesquisa.
                   Agora está tudo aqui para que você possa encontrar a resposta a suas perguntas de maneira muito mais fácil do que eu. Com certeza não encontrei respostas para todas as perguntas, até porque com as descobertas que fiz, muitas outras surgiram. Mas tenho certeza de que é o melhor trabalho sobre a família que se pode encontrar. E me arrisco a dizer que nisso se inclui a literatura alemã.
                   É com imensa alegria que lhes entrego a minha pesquisa.
                   Tenho apenas um pesar. O de não poder mostrar a meu avô...

Osório, fevereiro de 2007
Rodrigo Trespach



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