Os poemas são breves, densos de força e de sentimentos
com ousadas metáforas sinestésicas e atrevidos paradoxos.
Veja-se a expressão: Laço encantos/ de auroras/.
Na mensagem de Olavo Bilac, aparece o complemento do título:Vê-se
no espelho; e vê, pela janela: A dolorosa angústia vespertina.
Florbela, a desditosa poetisa lusitana, conclui com doloroso verso:
“Nem há memória desse sítio incerto...”
Fernando Pessoa brinca com as aparências e a imagem no espelho:
“Quando quis tirar a máscara,/ Estava pegada à cara./Quando
a tirei e me vi no espelho,/já tinha envelhecido. “A última
mensagem surge do poeta-mor de nossa língua: “E se ver-vos
nesta alma, enfim, quiserdes,/Como em um claro espelho, ali vereis/também
a vossa, angélica e serena”.
O decálogo de mensagens desafia o tempo pois a memória
viva, sonolenta ou marcada por espaços em branco, é sempre
o espelho do ser humano peregrino do infinito, sedento de paz, de esperança
e de amor.
Irmão Elvo Clemente
Presidente da Academia Rio-Grandense de Letras.