LIVROS
:: A MEMÓRIA NO ESPELHO::
Amir Feijó

O poeta Amir Feijó Pereira inventou outro livro de poemas – A MEMÓRIA NO ESPELHO. Traçou sua caminhada em dez mensagens sendo cada uma orientada por um poeta sem preocupar-se com gênero dos poemas nem com as escolas de seus protagonistas; ei-los: Cecília Meireles, Olavo Bilac, Florbela Espanca, Augusto Meyer, Lila Ripoll, Fernando Pessoa, Rita Barém de Melo, Mário Quintana, Hilda Hilst e Luis Vaz de Camões. Cada nome citado contribui com o mote condutor de uma estrofe, eis a primeira que marca a direção e a vocação do livro;

A Memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Cecília Meireles

Os poemas são breves, densos de força e de sentimentos com ousadas metáforas sinestésicas e atrevidos paradoxos. Veja-se a expressão: Laço encantos/ de auroras/.
Na mensagem de Olavo Bilac, aparece o complemento do título:Vê-se no espelho; e vê, pela janela: A dolorosa angústia vespertina. Florbela, a desditosa poetisa lusitana, conclui com doloroso verso: “Nem há memória desse sítio incerto...” Fernando Pessoa brinca com as aparências e a imagem no espelho: “Quando quis tirar a máscara,/ Estava pegada à cara./Quando a tirei e me vi no espelho,/já tinha envelhecido. “A última mensagem surge do poeta-mor de nossa língua: “E se ver-vos nesta alma, enfim, quiserdes,/Como em um claro espelho, ali vereis/também a vossa, angélica e serena”.
O decálogo de mensagens desafia o tempo pois a memória viva, sonolenta ou marcada por espaços em branco, é sempre o espelho do ser humano peregrino do infinito, sedento de paz, de esperança e de amor.


Irmão Elvo Clemente
Presidente da Academia Rio-Grandense de Letras.

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Valor R$ 15,00