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Lágrimas de Anjo
Se levantou do chão duro.
Dormiu escorado num muro,
enrolado num velho trapo,
com seu cão ao lado,
sem questionar o seu sono.
Acordou com a barriga roncando,
revirando as latas,
não encontrando nada,
capaz de sossegar sua fome.
Ninguém o levou pra escola.
Fica vagando pedindo esmola,
na rua selvagem,
admirando na outra margem,
uma vitrine de loja.
Ele se escora no vidro,
sonhando quietinho,
com o boneco ou carrinho.
Queria ser forte como aquele herói.
Não chorar quando dói,
a indiferença dos estranhos,
quando leva dos que têm maior tamanho,
uma surra por não ter feito nada.
Solitário, volta pra estrada.
Queria entender sua culpa,
saber se a vida era justa,
sem lhe conceder um prato de comida.
Ninguém sara sua ferida.
Agora, ele já está cansado.
Volta a estar deitado,
no muro que ninguém lembra.
Aquele é seu canto,
acostumado com seu pranto,
de criança que ninguém acalenta.
É apenas um anjo perdido,
que chora escondido,
a ignorância dos homens. |
Mais Perto
Sob o efeito da febre,
acuado como uma lebre,
me enrolo nas cobertas,
pra cobrir a ferida aberta,
da solidão em meus devaneios...
Na realidade que me confunde,
na verdade que me ilude,
deixo meu corpo enfermo,
plantando em meu ermo,
um pouco de glória e valentia.
É apenas mais um dia,
que eu preciso de vigília,
de olhos atentos,
de coração aberto,
e mãos que me cuidem.
Hoje, não quero ser forte.
Mesmo contando com a sorte,
escondo minha coragem,
pra receber alguma bondade
e um pouco de atenção.
Apenas queria teu coração.
Poder apertar tua mão,
nessa manhã que me desperta,
e na hora certa,
te sentir mais perto...
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