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:: CASARÕES - História e Arquitetura de São Gabriel ::
Myrta Luza Garcia Dias Rieth



PREFÁCIO

Instado para dissertar sobre o trabalho de pesquisa, realizado pela arte educadora, artista plástica e historiadora, Myrta Luza Garcia Dias Rieth relacionado com os prédios que distinguem a riqueza arquitetônica da nossa São Gabriel, fiquei, deveras, impressionado pela felicidade do tema escolhido.
Voltando os olhos para as civilizações passadas vão encontrar na forma a maior expressão de identidade de cada ciclo, numa perfeita representação estilística com o tempo, moldada na arte que caracteriza a fase histórica de uma determinada época.
Na arquitetura, escultura, nas artes plásticas, depara com o homem histórico que concebeu e moldou a sua formação, variando de ciclo para ciclo desde tempos remotos, configurado indelevelmente.
Assim podemos constatar a diferença do homem de cada ciclo, determinada pela estrutura física do conjunto, como pelas disposições espirituais, mentais e emotivas que vêm enriquecer o patrimônio cultural da humanidade.

O homem das cavernas já se preocupava em transmitir às gerações do futuro suas idéias, sua alma, suas tendências e suas virtudes, valendo-se da linguagem da forma, muitas vezes rudimentar, enigmáticas, encontradas nas paredes das suas furnas milenares.
Por meio da arte o homem histórico tem demonstrado o seu estilo e suas aspirações, seu desenvolvimento intelectual, como demonstração do seu entendimento artístico-cultural, gerando a estética que é a sublime arte de revelar a beleza, distinguindo o talento humano e o gosto de cada ciclo.
Daí compreendermos a zelosa preocupação dos povos cultos em preservar a arquitetura dos prédios históricos, dos edifícios antigos e das mansões tradicionais, que exteriorizam nas suas aparências esculturais de ordens diversas, períodos distantes, porém, redivivos, como templos de uma realidade que se imortaliza na história da civilização.
Não só nas letras, na poesia, na museologia, mas na arquitetura, principalmente, conhecemos a história dos povos, graças à curiosidade que desperta, na atração que exerce, na evocação que infunde ou pela contemplação, quando a arte e a beleza se harmonizam na imagem que plasmam. A arte fala, basta decifrá-la.
Um povo que deixa destruir sua arquitetura está apagando sua memória, limitando sua evolução espiritual, seu sentido criativo, sua avaliação descritiva, sua concepção filosófica, sua capacidade intuitiva de projeção sentimental, que dimensionam seu grau de patriotismo cultural.
Andou muito bem a Myrta Luza e a louvo e, creio no sucesso da sua obra, que retrata na paisagem arquitetônica da nossa São Gabriel antiga, sua preocupação e o acendrado amor que ela devota à terra do seu berço natal.
Que possa este livro sensibilizar a alma gabrielense, porque sempre é tempo, quando o amor prevalece acima dos interesses pessoais, ou dos conceitos de caráter modernistas.

Historiador Osório Santana Figueiredo


São Gabriel, como uma cidade histórica, quantas vezes, tem sido mencionada com admiração por historiadores, artistas, e arte educadores, trazendo para o cenário a própria arquitetura e arte da cidade de São Gabriel, como memória, conhecimento e Educação Patrimonial.
Este estudo tem um grande esforço para reconstruir o saber e o acesso ao conhecimento. Assim, MYRTA LUZA buscou em sua pesquisa pela História Oral, Documental e Visual reconstruir a memória da cidade que tem se manifestado sempre pela criatividade, inventando formas para sempre que possível converter-se em Patrimônio da Humanidade, cuja Arquitetura, neste livro, se converte em conhecimento, que passa pela escola e pela universidade.
A vida coletiva, a organização da cidade, a compreensão dos mecanismos sociais, políticos, econômicos, urbanos, culturais e artísticos, são fontes de conhecimento e de aprendizagens.
É assim que compreendo a pesquisa realizada por Myrta Luza Garcia Dias Rieth, cuja contribuição também para a área das Artes Visuais e seu ensino, é significativa porque com ela dá visibilidade neste marco histórico com imagens como um saber formidável através do qual a cidade educa, se educa, cresce em suas possibilidades de conhecimento e de ação, ao tempo que se reconhece a si mesma como cidade e comunidade com identidade própria, mas alia uma de suas características históricas, a do contexto e das pessoas que a constituíram.
Trazer esta memória da arquitetura de São Gabriel é um convite a Arte na escola, e um convite à Arte na Universidade, na formação de artistas e professores, na possibilidade do trabalho interdisciplinar em especial do tripé arte-arquitetura-educação patrimonial.
Estes breves comentários sobre a obra que Myrta Luza disponibiliza para discussão pela comunidade acadêmica e pelos professores, é uma pequena síntese do seu conteúdo, porém suficiente não só para estimular o leitor, mas para também atestar a sua inestimável contribuição para uma área carente de obras desta natureza e de tamanho significado cultural para a cidade de São Gabriel.

ANA LUIZA RUSCHEL NUNES
Profª.Drª. de Ensino de Artes Visuais do Programa Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Santa Maria/RS.





            
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