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:: A brisa de Zéfiro::
Claudio Farias




"Foi um encontro arrebatador. Admirável e tocante o momento vivido entre mãe e filho. Podiam-se sentir as emanações sutis exaladas das duas essências em completa harmonia. Ficaram imobilizados, experiemntando um sentimento inefável de enorme alegria. Perderam o contato com o universo exterior. Choraram como choram os espíritos. As lágrimas, formadas por sensações interiores, despreendiam-se do fundo dos corpos espectrais, formando um arco-iris, envolvendo-os. Precipitavam o brilho policromático das pedras preciosas. O amor, numa transição gradual, projetava-se daquelas almas sofridas, numa união só possível e seres desprovidos de matéria. Dois corpos fluidos envolvidos num abraço etéreo, cobertos numa aura multicolor."

 

 

"Cá estamos nós José. Finalmente nos encontramos. As condições, é verdade, não lhe são muito favoráveis do ponto de vista humano. Pode-se dizer, você está em dois lugares ao mesmo tempo. No hospital com os médicos fazendo tudo para salvá-lo. E aqui na minha frente em espírito desdobrado do corpo. Antes de me perguntar: você está no lugar que os antigos gregos, em sua mitologia, chamavam Campos Elíseos. Morada dos espíritos e dos eleitos, reino dos mortos, terra venturosa, sem frio, sem chuva e sempre ventilada pela brisa de Zéfiro. Para nós a morada dos espíritos, primeira etapa de uma longa caminhada determinada pelo Criador. Lugar onde todos os seres depois de desencarnados passarão..."

***


"Nas muitas noitadas e nas matinês de domingo lá estava um menino franzino e de olhar atento. Não perdia uma fala, nada nem um detalhe. Ali podia sonhar em um dia ser como o astro principal. Viver suas aventuras e desventuras. Rir. Chorar. Lutar contra os moinhos de vento transformados em dragões. Sentir-se super-herói. Defender os fracos e oprimidos. Naqueles momentos esquecia-se de todo o real em sua volta. Das dificuldades de sua família, uma família pobre de subúrbio. O pequeno José queria ser como Zico Lopes em sua capacidade de transformação camaleônica. Transformar-se de um personagem a outro num piscar de olhos: jovem, meia-idade, velho. Grande astro aquele velho e bom Zico, com um os dentes incisivos de ouro, exibidos com orgulho."


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