LIVROS
:: Dossiê de um Desencontro ::
Filipe Ren

Seguidamente, vem-me à mente a frase inicial da magistral Crônica de uma morte anunciada, de Gabriel Garcia Márquez: “No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30m da manhã para esperar o navio em que chegava o bispo”. E o livro transcorre desvelando a primeira frase. Algo parecido acontece com Filipe Ren e seu Dossiê de um Desencontro. Na primeira página do diário de seu personagem principal, o livro abre-se num leque que mostra o propósito da obra. E, a exemplo de G. Márquez, o “Dossiê” fechado vai abrindo-se. Os destinos dos personagens dos dois autores definem-se desde o início.
As similitudes das duas obras ficam por aí, apesar de serem ambas muito densas. A de Filipe Ren tem uma abordagem bem distinta. É fruto das inquietações humanas, com muito mais perguntas que respostas. É do homem o hábito de criar armadilhas para nelas cair. Criar necessidades para depois submeter-se a elas. Daí o cotidiano massacrando o homem, preconceitos, sentimentos de culpa. E, então, o autoflagelo.
Dossiê de um Desencontro é o encontro de um autor que merece todos os méritos e elogios já em sua primeira publicação.
 


Prefácio

Gestos extremos que a globalização promove cada vez mais

Filipe Ren não precisaria mais do que esta novela para anunciar suas qualidades literárias. Tantos são os variados predicados que nos apresenta em seu primeiro livro. Seria desnecessária uma longa narrativa, um romance épico para anunciar-se um escritor talentoso.

Dossiê de um Desencontro é um breve, mas profundo relato dos derradeiros meses de vida de um homem, igual a milhões neste país, de encantos e desencantos maiores. O cotidiano, as questões pessoais dilaceram a razão humana.

Com relação à dramaticidade da vida, o leitor lembrará dos sete pecados capitais, como vaidade, avareza, ira, luxúria... Agora surgem outros sete pecados sociais promovidos pela globalização, listados pela Igreja. São os pecados da modificação genética, da poluição ambiental, da injustiça social, do uso de drogas. Até tornar-se extremamente rico, o homem corre o risco de não ganhar o reino dos céus.

Comento as novas regras dos bons procedimentos para frisar a temática do Dossiê de nossos desencontros de todos os dias. E a maneira delicada e profunda com que o jovem Filipe Ren trata destas agruras todas. O homem a cada dia está mais pressionado para novas conquistas, mas sempre com menos tempo para recarregar baterias e tentar salvar-se de tantos pecados.

Ainda que em pouco tempo se leia a presente obra, a mesma fica nos desassossegando, nos forçando a pensar continuamente sobre o tema inquietante do livro.


Airton Ortiz - Jornalista e escritor



Agradecimentos:

Pelos comentários e críticas construtivas, agradeço a Fábio Antônio Goularte de Ávila, Marli Acosta e Civa Silveira.

Dedicatória:

À minha família.
Àqueles que têm consciência sobre a relatividade dos valores.

R$ 18,00

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