Minha segunda pele
Ainda guri, lá na fazenda, uma das lembranças mais antigas
era quando meu pai me apresentava aos amigos e logo vinha a pergunta,
zombeteira: "Airton do Grêmio?". Não, meu nome
nada tinha a ver com o Pavilhão Tricolor. Minha mãe, em
sua tenra juventude, conhecera um Airton de Tal. Achara-o muito educado,
talvez bonito, e se prometera batizar o primeiro filho com o dito nome.
Essa era a verdade, a pura verdade, mas meu pai sempre respondia: "Sim,
do Grêmio". Eu, que não conhecia a história
verdadeira, confirmava: "Airton do Grêmio". Essa é
uma das poucas lembranças da minha primeira infância. Gostava
da história, embora, para mim, nada significava. Não tinha
a menor idéia do que fosse Grêmio, muito menos ser gremista.
Curiosamente, não lembro de nada semelhante com relação
ao Internacional.
Aos dez anos mudei-me para a cidade, para estudar. Fui morar com meus
padrinhos, Lucival e Edith, e meus primos. Todos gremistas. Tive, então,
meu primeiro contato com o mágico mundo do futebol. Tornei-me,
finalmente, o Airton do Grêmio. Ser gremista já estava
na minha pele. Uma segunda pele que até hoje me cobre de glórias.
Numa final de Libertadores cheguei ao Olímpico seis horas antes
do jogo; numa final de Brasileiro acho que ainda mais cedo. Nas últimas
décadas fui campeão estadual, nacional, continental e
do mundo. Nada pode ser maior.
Mesmo assim, me faltava algo. Faltava, agora não falta mais:
conhecer, em detalhes, a história da minha segunda pele. Pois
este livro traz, gol-a-gol, tudo que se precisa saber. Leia. Assim,
quando alguém lhe pergutar se você é "Do Grêmio",
poderá dizer que sim, sou "Fulano do Grêmio";
e dar os detalhes, de imediato.
A todos, um bom jogo.
Airton Ortiz – jornalista e escritor
Caminhado pelas
ruas curtas e frias de Buenos Aires, em direção ao bairro
de Almagrado, ao longe avista-se uma praça com uma grande estátua
de Vênus, toda pintada em azul, preto e branco. Toda semana a
prefeitura da Capital Portenha limpa e toda semana eles pintam novamente.
Isso ocorre há muitos anos e provavelmente será assim
para sempre. O amor destes argentinos que fundaram o Clube San Lorenzo
de Almagro, para usarem as cores e a bandeira do Grêmio, só
não é maior que o amor impresso em cada página
deste livro. Amor este que Gianfranco Spolaore usou pra realizar aquilo
que acredito ser a maior pesquisa histórica já feita sobre
a história do Imortal Tricolor.
Luis Wëlter - Escritor e poeta