O que escrevo é
tudo aquilo que procurei do fundo do meu ser.
Como não cheguei a ser mãe, considero meus poemas crias
minhas.
Meu conceito sobre poesias:
Ser poeta é mergulhar de corpo-e-alma adormecida ou acordada
no país dos sonhos; extraindo deles o amor, a esperança,
a saudade e o perdão. Às vezes, tirar da realidade, esta
que nos cerca e nos sufoca, algo substancial para nos dar forças
a fim de resistir os baques da vida.
Em minhas andanças pelo mundo colhi muitas alegrias, dissabores,
é claro, quem não os tem? Porém, meus poemas tomaram
um rumo só. Procuro exprimir apenas o de belo que meus olhos
vêem e meu coração sente.
Muitos poetas choram as suas desesperanças, dores, frustrações;
contam das desumanidades que viram por este mundo afora. Falam de terroristas,
assaltantes, bandidos, assassinos e suicidas. É o fim dos tempos.
É o ano dois mil que se aproxima. Um dia vai melhorar. Deus é
brasileiro. Se bem que, às vezes, estas revoltas nascem de uma
reação por uma situação intolerável
que atravessamos. É como se fosse dar um grito de guerra para
a libertação: um apelo que significa nada mais, nada menos
que um Basta!
Nos meus poemas onde tem pranto, denuncia uma saudade imensa dos tempos
de colégio, minha meninice, enfim, dos velhos tempos. Amores
conquistados, amizades, paixões, alegrias, idas-e-vindas, noites
mal dormidas, às vezes, por estar ouvindo serenatas ao clarão
da lua cheia... ou quem sabe, ressaca dos bailes de carnaval...
Sonho com tudo que desejei ter, aquilo que colhi e o que não
consegui obter, com flores perfumadas, umedecidas ainda pelo orvalho
da madrugada. Com cheiro do capim molhado dos campos verdes de nossa
terra que se chama Brasil. Com o cheiro dos pinheiros da minha terra
natal, o Rio Grande do Sul, ondulada pelas coxilhas. Com o amarelo
do nosso sol escaldante. Com o barulho das nossas matas onde a jaguatirica
mia, as araras gritam, os papagaios falam e os passarinhos cantam em
bando, deixando a gente alegre e ensurdecida; com a música cristalina
das águas que saltam das cascatas, com o marulhar das ondas,
beijando a areia da praia, enfim, meus sonhos são lindos e incontáveis.
Inspiro-me nos amigos que conquistei, desde os colegas com quem convivi
no tempo de trabalho, como aqueles da vida social; pérolas raras,
cultivadas no jardim da sinceridade e da lealdade.
Humildemente inicio este simples livro, transparente como de fato sempre
fui, sem passado, sem futuro, somente com o agora, orgulhosa e feliz
de poder exteriorizar meus sentimentos e minha vivência a todos
que lerem, proporcionando a meus irmãos, sobrinhos e amigos a
oportunidade de me conhecerem cada vez melhor.
Quero dar a cada um que folhear este pequeno livro, um pouco de calor
humano, conforto e pausa para a recordação...
E não esqueçam nunca:
Só o amor é que edifica
Termino lembrando o que o matuto do interior dizia:
plantando dá... por isso eu planto pra dar...
(Jeca Tatu, de Monteiro Lobato)
A autora
_______________________________________________________
De
muitos lugares do Planeta se pode produzir boa poesia. Mas é
da maravilhosa cidade do Rio de Janeiro que Maria Calíope Cunha
Lima esparge e encanta o Brasil com seu poetar singular. Despreocupada
com padrões rigorosos de estéticas clássicas ou
pós-modernas, empenha-se em inundar a sensibilidade brasileira
com Chuviscos Poéticos. Em verdade, quase uma chuvarada de textos
extremamente ternos. Igualmente se pode afirmar que nesta louvável
obra mistura com saber várias escolas literárias.
Sonetos e prosas poéticas se vão desfiando ao longo de
144 páginas. Ao final, não há como a emoção
não tocar o leitor. Como por exemplo:
“A
neve deixa cair a cabeleira branca cor de prata
Sobre a paisagem fria
Onde se debruçam
os campos de esmeralda”
Então,
não é a mais pura e comovente Poesia?
Agora deixe-se deliciar com a leitura completa de Chuviscos Poéticos.
Rossyr
Berny – Editor
_________________________________________________
Maria
Calíope Rodrigues da Cunha Lima, neta de Manoel
da Costa Cunha Lima, dono de engenhos de açúcar na Paraíba
e de José Luiz Rodrigues Teixeira, criador de gado no Rio Grande
do Sul, nasceu na década de 20, em Vacaria, zona pecuária
do Rio Grande do Sul, divisa com Santa Catarina.
Estudou no internato N. Srª do Bom Conselho de Porto Alegre, ministrado
por freiras católicas franciscanas alemãs. Mudou-se para
o Rio de Janeiro com a família em fins de 43, onde cursou inglês,
datilografia, espanhol, relações públicas e humanas,
até o vestibular. Formou-se em Jornalismo pela Escola de Assis
Chateaubriand.
Trabalhou em várias companhias americanas e posteriormente em
órgão do Ministério da Agricultura, de 64 a 86.
De 70 a 80, trabalhou em Brasília. Ao voltar para o Rio de Janeiro,
dedicou-se à literatura e interessou-se pelos problemas sociais,
humanos, políticos e ecológicos, extraindo do dia-a-dia
suas inspirações.
Realizou cursos na Academia Brasileira de Letras, no Centro Cultural
do Banco do Brasil, no Lyceu Português e no Instituto Histórico
e Geográfico. Participou de inúmeros concursos de poesia,
crônicas e contos. Recebeu prêmios, livros, medalhas de
ouro e bronze, troféu pelo SESC e troféu de Musa da Poesia
– 1996, pelos Cadernos Oficina. Recebeu diversos diplomas de Academias
de Uruguaiana/RS, Revista de Brasília (incluindo a medalha de
Estella Brasiliense) e Academia Petropolitana Raul de Leoni.
Pertence à Associação dos Diplomados da Academia
Brasileira de Letras do Rio. Recebeu, em 1997, medalha de interpretação
pela Academia Cidade Maravilhosa com a poesia Acróstico para
Diana (homenagem a Lady Dy).
É associada ao Instituto Rio-Grandense, cujo diretor é
o Coronel Claudio Moreira Bento.
Participou de concursos de Poesia em Bogotá (Colômbia),
Trento (Itália), São Paulo, Minas Gerais e em Vacaria,
recebendo Menção Honrosa pelo poema Cidade Natal.
Em 1996 lançou seu primeiro livro, Memórias poéticas
de uma gaúcha, pela Editora Alcance.