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:: A Surpresinha e Outros Escritos :: |
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Jorge Hausen |
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Gaúcho de Porto Alegre, Rio Grande do Sul,
mora desde 1972 na cidade do Rio de Janeiro.
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PALAVRAS DO AUTOR
Dedico este livro à Regina de Fátima Moreira Chaloub – a companheira e a Sergio e Eduardo – os filhos. Em memória de Maria Alice Jaeger, Luís Edmundo Giffoni, Elias Carneiro Daitx e Sergio Arthur Giaqüinto. Meus agradecimentos à generosidade e amizade de Sueli Cardoso de Araújo, Diógenes de Almeida Campos, Maria Thereza Noronha, Cristina Fernandes de Mello, Rosa Maria Pires e Eduardo Fernandes de Mello. Agradeço ainda, particularmente, a Niquita e Zizou, que compartilharam todos os momentos, os maus (os péssimos) e os bons (os ótimos), desses últimos anos de minha vida. Agradeço, especialmente, a Ivan Cavalcanti Proença, o Mestre, e a Rossyr Berny, caro Editor. Jorge Hausen
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PREFÁCIO
Criar mundos Luiz Antonio de Assis Brasil Romancista. Doutor em Letras. Este livro de Jorge Hausen é a confirmação de um [excelente] ficcionista. O que faz um ficcionista, pergunto? Responder que faz ficção é, sob certo aspecto, uma tautologia. Mas a coisa não é tão simples assim. "Fazer ficção" não é apenas criar um mundo imaginário – porque isso qualquer mente fantasiosa pode fazer –; trata-se, sim, de criar um mundo imaginário que funcione como um mundo real, isto é, em que seja respeitada a relação de causa e efeito entre os episódios, e com tal verossimilhança nesse enlace que, ao fim e ao cabo, seja entendido como real. É essa virtude que encontro neste livro. A condição preliminar, Jorge Hausen a possui: o sentido da fabulação, isto é, nosso autor sabe contar uma história, e sabe contar muito bem, com períodos gramaticais limpos, sem tropeços nem armadilhas. Ele sabe usar le mot juste, e isso não é pouco. O passo seguinte é o da qualidade intrínseca desses textos, e aqui já estamos a falar em literatura. Impressiona-me o bem articulado jogo entre o dizer-não-dizer, isso que é a tortura de qualquer escritor: o que digo? O que não devo dizer? Um ficcionista vive sempre sobre o fio da navalha: ou é explícito demais ou é obscuro. Jorge Hausen sabe encontrar o equilíbrio; assim, nada é dado de bandeja ao leitor, mas não lhe é sonegado aquilo que ele necessita saber. Na novela que dá título a esta obra temos uma história com duas tonalidades sucessivas: na primeira, prepondera a des-preocupação, o estilo brejeiro e carioca, os dias do carnaval, em que se instala um grande amor, uma paixão temperada por uma personagem inteira, forte e arrasadora: Silvana; ela dá as cartas, com uma vida pregressa inquietante. Na segunda parte, instala-se a tragédia; mas não se trata de algo saído do nada, mas que, ao contrário, está nas entrelinhas das falas e ações de Silvana. O golpe que recebemos é desde logo anunciado – nós é que não nos havíamos percebido. Aí está o que eu queria dizer com o jogo do dizer-não-dizer, e que Jorge Hausen sabe jogar muito bem. No final da novela reinstaura-se o clima anterior, o do início, com uma descoberta que traz, à história, o retorno da mesma Silvana que havíamos deixado lá no princípio. E não é sem ternura que isso acontece. Não tenho vocação de spoiler, por isso deixarei ao leitor o prazer intelectual da revelação, mas posso garantir que irá surpreender-se. As histórias seguintes à novela, que o autor houve por bem incluir no volume, apresentam-se, e assim as entendo, como um depoimento de geração. Há crônicas – inclusive uma histórica, muito saborosa –, há contos, há o depoimento do quotidiano da classe média carioca, seus valores, suas preocupações. Em todos esses textos, há uma forte presença pessoal do autor, especialmente aqueles narrados em primeira pessoa, a maioria. O mesmo autor de Surpresinha tem muito a contar, e o faz com propriedade do início ao fim do livro. É, sim, um autor que sabe criar mundos. Boa leitura.
Efabulação Ivan C. Proença Mestre e Doutor em Literatura Brasileira. Ensaísta. Vou ocupar-me, basicamente, do texto carro-chefe, de autoria de Jorge Hausen. Exato o romance da anti-heroína em Surpresinha. Em dado momento, o narrador em primeira pessoa descreve o café da manhã (primeiro título de capítulo). Tempo retardado, minúcias funcionais daquele café da manhã. E assim, ao longo do romance, os detalhes em sua precisão ganham a narrativa. Mais: quase sempre aliados aos recursos de plasticidade de que se vale o Autor. "Vemos" as cenas, desde, por exemplo, os trajes e corpo da mulher amada até o que é, e como é, o bondinho de Santa Teresa. Precisão de escrita, ritmo particularíssimo do Autor ao longo do texto, em alternância de períodos sincopados e longos. E, em se tratando de ficção policial, o fator expectativa se sucede em inúmeras etapas, curiosamente tensionando o próprio componente sintático das inversões (circunstância antes, "revelação" depois, em anástrofes ou hipérbatos). Os outros escritos, inclusive o núcleo Copacabana, favorecem, formalmente, o que muitos de nós sabemos, a competência e o domínio pleno do fazer literário de Jorge Hausen. Quanto ao somatório de significados, ao gênero e às gentes (a minigaleria de personagens – dois, em particular), cabe lembrar que se trata de Memória, em longo flash-back "a serviço" do narrador (frise-se, primeira pessoa), girando em torno, inicialmente (mas fortíssima presença), da freirinha fujona que se esbalda e se revela no carnaval do bloco das Carmelitas (estas, falsas). A metalinguagem discorre em tipicidade de Lenda. Qual a verdadeira versão? A seguir, entra em cena – descrita através aquele tempo retardado, detalhes que a definem, e fantasiada para pular no bloco – a anti-heroína Silvana, moderna (mais que isso: hoje), que conduz e domina, exuberante, a narrativa e o próprio narrador. Este, no enlevo da paixão, "torce" por uma outra realidade, a que ele desejaria. Por isso, a involução ocorre no exato momento da entrada em cena de Silvana. A cidade do Rio de Janeiro, seu carnaval e seus blocos, os bairros, a bandidagem, os tipos e caricaturas (o delegado, por exemplo), através do Autor Jorge Hausen ganham uma dimensão fiel, e justa, retrato que só a Literatura soluciona com precisão, e de modo mais significativo: nem artigos, matérias jornalísticas, História (oficial ou não). O clímax – isto é, o momento em que o livro pode ser concluído, coincide com o final da lembrancinha (Surpresinha), sem arremate, sem mais nada. Nem precisa. O antagonismo – o meio urbano, a sociedade como um todo; o contexto social, enfim – se reveste da delicada verossimilhança aqui exigida, e consequente adequação de personagens, inclusivíssimo nos diálogos. Jorge Hausen é um dos mais importantes, notáveis, ficcionistas da atual Literatura brasileira. Afinal, em se tratando de narrativa policial, plena de tensões e mistério, de indefinições e dissimulações, e – mais que isso – com um introito em torno da "encantada" freirinha carmelita, envolvida em aura lendária, cujo destino ninguém pode, com absoluta certeza, desvendar... tudo, mas tudo mesmo, desde que objeto de atenta reflexão, pode conduzir-nos à própria Silvana – seriam duas as anti-heroínas? E se, lá nas profundezas, alguém aproximá-las na audácia de considerá-las uma só, aí, então, se consagra o Mito. o Mito de Silvana. Ou da freirinha fujona?
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Valor R$ 30,00 |
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Repercussões do lançamento
A Surpresinha e Outros Escritos por Veronica Filíppovna*
Quem teve a oportunidade de ler o primoroso livro A Surpresinha e Outros Escritos (Editora Alcance, 2009), provavelmente, irá concordar comigo: Jorge Hausen firma-se como um dos mais significativos representantes da prosa contemporânea brasileira. Cada palavra dita convoca para uma reflexão sobre o mistério chamado “Homem”. Há, no entanto, os que classificam a obra como uma novela policial; outros apontam ou nuances modernistas, ou tendências realistas. Classificações à parte, a Surpresinha de Hausen configura um convite para perscrutar o inesperado. Então, o livro é uma caixa de Pandora? Longe de ser indecifrável ou impenetrável, A Surpresinha e Outros Escritos incita o leitor, de maneira envolvente e apaixonante, a deixar-se conduzir por um fluxo contínuo de surpresas. Sopro do desconhecido. Horizonte em gestação. Plenitude a fulgurar na palma das mãos. A poética da obra convoca-nos à experienciação de mundos em acontecimentos incessantes. O charmoso bairro de Santa Teresa, o carnaval carioca, o arquétipo do malandro, o espírito aventuresco da Zona Sul do Rio de Janeiro configuram, no gosto pelas letras do geólogo-escritor, mundos em infinitas possibilidades de realização. “Nada explícito, tudo velado" (p. 155). Nada guardado, tudo desoculto. Ora, a compreensão do litemotive do poético na obra está além dos adjetivos. Para apreendê-lo, basta estar atento diante do desconhecido e deixar-se tocar pela memória do que, aparentemente, não possui sentido. É importante ressaltar que a memória presente na obra não diz respeito apenas às lembranças históricas de um passado remoto. Trata-se de uma memória originária na qual o passado está plenificado no presente e o presente somente acontece porque concretiza o futuro. Dito em outras palavras, mais que reminiscência, a memória é vigor de manifestação. É acontecimento que não requisita um princípio ou fim. Força de nomeação que consome o inesperado no esperado, a memória faculta o homem a ser. A Surpresinha e Outros Escritos destaca-se como “uma ótima companhia”, haja vista requisitar “sempre novidade interessante” (p. 157) que deixa “a cabeça em profunda desordem”, sendo, portanto, “impossível fixar um raciocínio” (p. 96). Isso decorre de que cada trama anunciada rompe com as expectativas de um desfecho lógico-causal. A impressão que temos é a de que cada personagem cria uma tensão, ou seja, um jogo de revelações e ocultações em si mesmas e com o outro. O segredo para acompanhar esse jogo é “uma questão de sensibilidade” (p. 52) acrescida de uma entrega ao imaginário. Se, contudo, a pretensão era de que o livro deveria ser soft, que não gerasse polêmica nem constrangimento e, principalmente, sem conflitos de família, mas não água-com-açúcar ou mijo-de-freira, como se diz das coisas insípidas e inodoras. Alguma coisa que desse pra rir, divertir a gente, mas não besteirol... Bom resultado de cara (p. 159). Hausen conseguiu. Agora é “tão somente isso, nem uma vírgula a mais nesse texto” (p. 129). Tudo são surpresinhas.
* Graduanda do curso de Letras Português-Russo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além de atuar como docente de curso de extensão sobre mitologia, literaturas brasileira e russa na Faculdade de Letras, já publicou alguns artigos sobre literatura e filosofia.
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Querido amigo,
Obrigada!
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Autógrafo na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre - Novembro 2009
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