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:: Soprando no Coração ::
Lolô Fonseca

 

 

Maria de Lourdes Torres de Almeida Fonseca é graduada em Administração de Empresas, com pós-graduação em Marketing Estratégico e de Varejo. É casada com Vanderlei Lopes da Fonseca e tem três filhos – Regina Lúcia, José Mário e Vitor.

Trabalha nos Correios, onde se dedica à Filatelia, exercitando diariamente sua capacidade de pesquisa e de criação em torno dos selos anualmente emitidos pela empresa. No campo literário, escreve crônicas, poemas e discursos, além de biografias e textos sociais. Ocupa a Cadeira 35 da Academia de Letras e Música do Brasil.

Nasceu em Belém do Pará e escolheu ser chamada de Lolô Fonseca nos meios literários, a fim de separar a escritora das outras posições que ocupa.

É reconhecida pelos amigos por sua habilidade com as letras, com as quais constrói textos marcados pela maturidade e lirismo. Lolô Fonseca tem na ALMUB – Academia de Letras e Música do Brasil - um grande incentivo às suas atividades literárias e a oportunidade de seu crescimento nesse campo. Tem sete irmãos, aos quais se dedica de forma carinhosa e comprometida, tendo seus pais, Mário e Nair, como exemplos de Amor. Gosta de música, cinema, teatro, literatura e de outras formas de manifestação artística. Considera fundamental aprender sempre e estar constantemente desafiada. O novo é o seu maior empreendimento. Vê em cada letra a oportunidade de construir uma nova palavra, um novo texto e novos significados.

 

PALAVRAS DA AUTORA

 

Quem um dia não sentiu vontade de escrever uns versos? Quem um dia não escreveu sobre o amor, a alegria de viver, a saudade e a solidão? Quem um dia, não sentiu vontade de escrever sobre a história de sua terra natal e de seus encantos? Quem não sentiu um dia emoções arrojadas, próprias da alma de um poeta?

Todos sentem, após uma emoção qualquer, um desejo imenso de transmitir uma mensagem ou de receber algo que alivie suas tensões e angústias. Pois foi vivendo, colhendo e amando que compreendi os meus sentimentos e escrevi os meus versos. Versos que considero simples, como simples é o meu viver. Versos que escrevi fiel aos meus sentimentos e necessidades.

A felicidade imaginária, aquela que alguns buscam como se fosse eterna, não é encontrada nos meus versos, mas, sim, a felicidade que nos faz serenos após interrogações e buscas no mundo poético do coração.

As minhas interrogações surgem como à procura de um caminho, de uma solução aos conflitos que empanam a mente e destroem a razão. Meus versos procuram responder à altura, com firmeza, coragem, prosa e poesia, vencendo as limitações, as ansiedades e interpretando sonhos.

Soprando no Coração é a prova de que somos capazes de fazer o coração falar, transformando em versos e prosas as indagações de nossas vidas.

 

PREFÁCIO

 

 Soprando no coração é um grande poema. E como todo poema, tem mensagens de alegria e de tristeza. Ora faz alimentar profundamente uma ilusão, como também fornece o lenitivo para com que a desilusão seja menos penosa. Encoraja na busca da conquista do objetivo colimado e refreia no momento em que essa busca se torna alvo da perpetração de todos os meios para que um fim seja alcançado.

Não se pode ter a veleidade de querer viver somente as alegrias, tentando ignorar o fato de que a vida é uma eventualidade, que traz em seu bojo um misto de bem e mal, de bom e ruim, sem que se possa realmente saber se tais acidentes podem ser considerados a ponto de alguém pensar viver num mar de rosas ou num oceano de lama.

É, afinal, cada um de nós quem transformamos a vida num oásis onde descansamos nossas esperanças, ou num árido deserto onde amargamos toda a desgraça de nossas desesperanças, esquecendo-nos que, quais vozes ecoadas que se esvaem no espaço, a vida é um sopro sobre nós, enquanto dela já ausentes, descemos onde a carcaça se desfaz inexoravelmente, permanecendo viva a lembrança do que fomos, dignos de aplausos ou de apupos.

Melhor e mais inteligente é viver a alegria, sabendo que a tristeza é apenas o seu oposto; viver a ilusão, sabendo que a desilusão é uma porta para novas iniciações. Viver a luta da perseguição do objetivo sem esmorecimentos, sem nunca buscar sua conquista descendo ao nível da utilização de quaisquer meios. É saber estar feliz, mesmo sabendo-se em meio a desventuras.

É utópico! Mas, o que é a vida? – É um poema, que nada mais é do que uma utopia.

A nossa escritora perlongou suas andanças juvenis pelas ruas de Belém, olhando, deslumbrada, as maravilhas que a natureza deu a essa terra abençoada, no perfume do cupuaçu e na sustância do tacacá. Olha as mangueiras majestosas, que não se vergam ante a tormenta e analisa introspectivamente tanta bravura. Observa o arvoredo e a simplicidade dos animais que povoam o Bosque Rodrigues Alves e analisa-os ante a arrogância e a prepotência do ser humano. Olha o homem da rua – quantos esmolantes! – E se pergunta por que poucos com tanto e muitos mergulhados na mais degradante miséria. E faz poesias, buscando reconhecer que a não monotonia da vida reside exatamente na pluralidade dos contrastes que apresenta.

Lolô Fonseca é a nossa prefaciada, que tanta honra nos dá, fazendo com que cultuemos com ela o poema da vida, tirado do seu âmago e traduzido em prosas e versos que, longe de obedientes à simetria e ao rigor literário prolixo, nos delicia, revivendo seus momentos de reflexão e arte. Um verdadeiro sopro em nossos corações.

Ao mesmo tempo em que vê o homem que corre “pra quê tanta pressa? De onde vens e para onde vais?... Caminha devagar... Espera que alguém possa te acompanhar”, ela vê o confronto do mundo desvairado e entediado e pede na alma de poeta: “Deixa-me andar... lutar! Deixa-me na certeza de uma flor e de um jardim para amar”.

Soprando no coração encontra inúmeros personagens e cisma as mais variadas situações, não permitindo ao leitor ser atingido pela insulsez das vãs palavras nem pelo verbo rebuscado. Faz com que descubramos, em meio ao burburinho do cosmo e da confusão da mente, um singelo “céu tingindo-se de estrelas”. Transporta-nos à fantasia do “balãozinho que sobe” e do marinheiro triste e anima-o: “Aproveita, manda o balãozinho levar um recado, com carinho, pra quem deixaste por lá... vai descansar. Eu quero dormir, eu quero sonhar!”

Lolô Fonseca faz-nos caminhar nas asas do progresso e traz-nos a imagem de Cristo, para que o mantenhamos redivivo, não

apenas no espírito poético, mas no real sentido de viver, prontos para a luta e nunca nos deixando dominar pelo ceticismo, ante o patético contraste da vida, com seus acidentes e incidentes, que devem ser reconhecidos como resultantes de nossa natureza relativa e contingente. Até das ilusões desfeitas, dá-nos um subsídio para sua compreensão, ensinando a máxima de que a realidade deve ser encarada tal qual ela é, pois, da ilusão que se alimenta e cujo valor não está à altura do que se estima, o resultado é “que cheguei a acreditar ter descoberto um “tesouro”.

Soprando no coração reúne um grande conteúdo que, indo do sentimental ao lírico, não perde o seu romantismo. Valoriza a arte poética e não se dissocia um ceitil sequer do sentido literário.

Wenceslau Soares Filho

Escritor e Professor

 

R$ 15,00

         
         
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