LIVROS
:: Desclausura - O verniz da unha na boca ::
Marcia Barroca

 

 

 

Marcia Barroca nasceu em Leopoldina/MG em 29 de outubro de 1951 e reside há 30 anos no Rio de Janeiro.
É formada em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Marcelina - Muriaé, MG.
É membro da Academia Paçoense de Letras e Artes, Poções - BA.
Publicou pela Editora Alcance-RS, em 2006, seu primeiro livro Marés e Semeaduras.
Neste 2009 publica seu segundo livro pela mesma editora, DESCLAUSURA - O verniz da unha na boca.

 

 

Em Marés e Semeaduras, livro inaugural de Marcia Barroca, a poeta ensaiava  um versejar interessante e profícuo. Já semeava e começava a colheita que em DESCLAUSURA - O verniz da unha na boca chega plena de maturidade.  E liberta para o voo forte de suas falas.

As seis partes que formam a obra têm vida própria e ao mesmo tempo dão unidade temática, linearidade onde os adjetivos são poucos e os predicados muitos. Marítimas, Desclausuras, Marcada a quente na pele, Pátria sem abraços, Paris às escuras e A morte que vive em mim alinham-se plenos de beleza e emoção. A temática marinha é forte, compreensível a quem vive há muito no Rio de Janeiro. Passa pela temática social, engajada, séria; vai a Paris; perpassa os descaminhos do desamor; e deságua no grande questionamento da vida: a morte. Sempre com grande arrojo poético.

Uma leitura rica aos que têm o livro entre as mãos. Mas ninguém imagina o parto que foi cada poema nascituro. De sua íntima tempestade criou furações para que lhe saíssem pela garganta em forma de versos: pontiagudos, ferventes, doridos. O amor (ou desamor) é mestre em fazer sofrer.

Fecho o livro de uma leitura emotiva. E abro o coração para que os poemas se multipliquem e tomem vida na vida de todos.

Rossyr Berny – Editor

 



 

Salvação

 

Ensimesmada

a lua cheia toca o mar

 

Placidamente

mergulho

nas ondas profundas

 

Como na vida

perdida em

sonhos etéreos

 

Meu mundo balança

Preciso aprender

com os acrobatas

andar em cordas bambas

 

Tenho necessidade

de piso firme

em chão

de terra batida

 

Cabeça e pés

necessitam

caminhar juntos

 

 

Abstração

 

Pequenos detalhes

invadem as retinas

 

Olho as livrarias

repletas de velhos livros

Estantes e mais estantes

empoeiradas, cheias de magia

 

Uma rua de sebos

entre o calor

e o colorido das capas

Selvagem e estridente alegria

 

Sensualidade em fúria

rasga a ferida aberta

da minha feminilidade

em espasmos invisíveis

 

Estar em Paris

no auge da imaginação

transpassa toda

sintonia do abstrato

 

 

Paridas palavras

 

Rasga-se o útero adormecido

ao compasso dos versos

 

Soluçam poemas

que cumprem sua sina

Desafios lavrados,

plantados,

repletos de sons

 

Desde sempre

estive entre a amargura

e a poesia

 

Apagou-se impetuosamente

o amor

O poema ressurge

Único a construir afetos

 

Valor R$ 25,00

Lançamento na Bienal Rio 2009
 
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