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:: Aquarela dos Anjos ::
Olga Silveira
Tela, pintura à óleo da autora

 

Dados da Autora

 

Olga Silveira nasceu em 17 de agosto de 1938, filha de Luis Anaurelino Silveira e Alzira Corrêa Silveira. Professora de artes, poeta, declamadora e artista plástica. Alegretense, teve seus poemas publicados na Gazeta do Alegrete até 1958. Vivenciou São Paulo e Belo Horizonte durante dez anos, voltando ao RS para lecionar na Escola Nehita Ramos e no Instituto Rural Metodista até 1972, em sua terra natal.

O direito perdeu a futura advogada e a Enciclopédia Britânica e a Delta Larousse ganharam uma líder de vendas durante quatorze anos, até 1987. Engajada no ativismo cultural e literário, criou, em 1988, o jornal alternativo Amanhecendo, de circulação nacional, com o intuito maior de eleger Mario Quintana o “Príncipe dos Poetas Brasileiros”. Publicou “Folhas Soltas”, em 1976 e “Janela Azul”, em 1988, ambos do gênero poesia. Sócia ativa da Casa do Poeta Riograndense. Ocupa a cadeira nº 30 na Academia Castro Alves de Ciência e Letras – patrono Mario Quintana. Tem diversos prêmios em literatura e pintura.

 

Cara Olga,

 

Recebi a bela recolha de poemas de mulheres, Mulher Poeta, que você teve a gentileza de me enviar. Vai-me ser útil nestes estudos que ando fazendo sobre a literatura feminina.

E abrindo uma exceção (pois há muitos anos precisei decidir não escrever nem uma nem duas linhas para serem publicadas em livros de escritores ou escritores, que são às centenas e eu uma só...) aqui mando algumas linhas para que você inclua entre os demais depoimentos sobre sua poesia. 

“... poesia espontânea, filtrada pela sensibilidade de quem comunga com as grandezas e misérias do mundo e se quer voz que tanto exalta o Belo como aceita o desafio da luta que a Vida exige a cada um de nós.” 

Creia que o não aceitar escrever prefácios, introduções ou quaisquer comentários sobre a poesia ou ficção dos nossos autores foi determinado pela seriedade de meu trabalho de crítica literária e total impossibilidade de avaliar tudo quanto me chega às mãos com o vagar e a profundidade indispensável. Sei que tais palavras de crítica são importantíssimas e é por isso mesmo que me impus essa proibição. De qualquer forma, o que você me pediu foi algo bem breve... e isso uma simples leitura permite escrever. Espero que lhe seja útil e que continue a escrever poesias, sempre e sempre... é nesse nível de criação que o mundo vai evoluindo... e principalmente sendo mulher, sua palavra poética tem grande importância.  

Fraternamente 

Nelly Novaes Coelho

         Crítica Literária

 



Aquarela dos Anjos

O mundo estava sendo planejado,
O Grande Arquiteto desenhou a planta,
Mediu espaços, juntou as ferramentas,
O esquadro, o cinzel, a alavanca, o maço
Em pouco tempo tudo estava pronto.

O Mestre parou, pensou.
E convocou uma legião de obreiros.
Eram anjos, e todos eram Poetas.
Então o Mestre ordenou:
– Colocai uma canção na voz do vento.
Um doce murmúrio em cada fonte
Pincelai de verde matizado os campos,
As florestas, os montes,
E pintem flores pra dar mais encanto.
E os anjos foram trabalhando
Na missão sublime de criar belezas.
Os animais, o sol, já estavam prontos,
Então pintaram a lua,
Bordaram com estrelas
E luzes fulgurantes,
O azul do firmamento.
Dos respingos que caíram
Nasceram pirilampos.
E os anjos descansaram
Envoltos: a paixão da sua aquarela.

O Grande Arquiteto, olhando toda a obra,
Sentiu que faltava alguma coisa.
E, abrindo os braços, Ele ordena:
– Cantai, anjos poetas suas quimeras.
Seus hinos mais bonitos.
Esparramem versos sobre a Terra.



Aquarelas de Olga Silveira

Rossyr Berny, primavera de 1994

Tua palavra toma todos os espaços,
do teatro e do país, quando declamas.

O verso de Olga Silveira
incrusta-se feito tatuagem luminosa
em nossos olhos e corações encantados.
A respiração cessa para ouvi-la melhor.
Escutá-la é amá-la, verso a verso.
Beberagem de beleza e paixões.

Será teu corpo que embala o poema
ou ele a faz dançar, flutuando no palco,
nas entidades culturais, ruas e praças?

A poeta rege o poema ou o poema a rege?
As mãos, o corpo, a voz são cânticos
que pintam a Aquarela dos Anjos.
Tatuam imagens de cores e céus
nos corações ouvintes, pasmos de encantos.

Tua poesia inolvidável
enche-nos de esperança, onde havia escuros.
Entrega-nos a vida invadida de paz.
Na platéia a ovacionam o anjo Quintana,
o Nejar, o Fachinelli, o Raimundo, todos.
A pátria brasileira a aplaude e a venera,
Olga Silveira.

 

Valor R$ 20,00

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Lançamento na 25ª Feira do Livro de Canoas
Canoas em 02/07/09
   
         

Lançamento no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo

Porto Alegre em 06/08/09

   

   
 

Ouça a autora em sua própria voz

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Autógrafo na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre - Novembro 2009

 
         
         

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