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| Nem
tudo é Poesia |
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| Paulo
Hecker Filho |
ISBN
85 - 7063-119-7 |
R$ 15,00 |
Nos
últimos quinze anos Paulo Hecker Filho
vem publicando um volume atrás do outro. Entre novelas,
contos, ensaios e crônicas, a maioria é poesia.
Nem sempre com cara de poema, mas poesia. Não se
pode confiar nesse autor, que traz para a literatura gaúcha,
brasileira, universal, uma força raras vezes encontrada
entre nós. Esperamos o poema rapidamente reconhecível,
o verso com jeito de verso, cara de verso, palavras mais
ou menos esperáveis de um (bom) verso. Mas desde
Perder a Vida que Hecker mostra não pagar pedágio
a um fazer poesia escolado no mais geral. Faz poesia a seu
modo, isto é, modo de poeta autêntico, o único
jeito de ser poeta, ser autêntico, sem máscaras,
inconfundível.
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Exemplo
disso é o poema “Máscaras”, deste Nem
tudo é Poesia. A condição humana,
cujo tema fundamental é o ser, tem na poesia de Hecker
seu chão e seu lar. Ele subverte tudo, converte, chega
à transcendência encarando a pobreza, loucura, o
mundo fixo, futebol, sexo, carnaval, brasilidade. Sua família,
seus amores, seus mortos e vivos, amigos e estranhos. Tudo é
poeticamente presente e tangível, por mais distante que
se mostre. A poesia inestancável e insuportavelmente forte
de Nem tudo é poesia (título que resulta irônico
pela capacidade do poeta em flagrar poesia em tudo) arranca-nos
de nossa distração, de nossos adiamentos, e nos
empurra para dentro, lá para trás das máscaras
que nos mentem e, conforme o poema, mostram a cara.
Paulo Betancur
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