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| O
Colecionador de Anúncios |
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| Demosthenes
Gonzalez |
CDU
869.0(81)-31 |
100
páginas 16 x 23 R$ 10,00 |
O
Colecionador de Anúncios desde já se inscreve
no que de melhor se fez no gênero nas décadas
de 30 e 40. Obra para ler-se como ilustração
dos cinzentos anos da ditadura varguista, ao lado de livros
como Os Ratos – que é anterior – e o
Louco do Cati. Diferente de Dyonélio, com seus personagens
torturados física e mentalmente, o personagem de
Demosthenes Gonzales salva-se pela ternura e pelo humor.
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É
uma novela de costumes onde o personagem perambula por lugares,
bairros e muquifos de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro,
Porto alegre. Encontros e desencontros servem para o Autor situar
o herói – anti-herói – na efervescência
dos anos 30 e 40. Com fino humor e ironia, Demosthenes mostra aquela
sociedade ainda suburbana e ainda cheia de violência e exclusão.
A trajetória do personagem, desde sua infância
de abandono e morte violenta de parentes e amigos, nos é
mostrada como um manual de sobrevivência na selva, em que
ele tenta sustentar-se, também sem entender muito do que
se passa, entre períodos na prisão e amores suburbanos.
Chegando à meia-idade e velhice, sobra ao triste personagem
a coleção de anúncios de casamentos e nascimentos
, uma coleção da suposta felicidade alheia. Sim, pois
a felicidade parece-lhe sempre distante de seus pequenos quartinhos
de pensão onde vegeta. E a novela termina, caro leitor, com
um excelente achado, que é óbvio, deixo para que descubras
ao final da leitura.
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