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          Rio Vermelho : : Nylsa Osório Jorgens Bertoldi  
     
 
     
 
Rio Vermelho
Nylza Osório Jorgens Bertoldi
ISBN 85 - 7063-119-7
128 páginas 14 x 21 ESGOTADO

 

 Sendo livro de maturidade, Rio Vermelho, vida da poetisa, em metros e inspirações variadas, algumas de forte conteúdo emocional. Contudo, embora nele haja relíquias sentimentais, sem o sentimentalismo tão caro aos estreantes. De certo, o sentimento, em especial o amoroso é uma das mais ricas fontes de poesia, mas há de ser depurado de sua ganga externa, decantado nos filtros de arte. Ocorre-me o que escreveu um dos maiores poetas ingleses do século XIX, um dos lake poets William Wordsworth, dizendo ser a poesia emotion recollected in tranquility.

Os amores e perdas familiares lhe inspiram fortes versos, mas com essa contenção dos que sabem que a lágrima não é ainda o poema. Ou com essa resistência e ela, do verso definitivo da extraordinária Lila Ripoll, que é urgente reeditar: há lágrima/lutando/com meus olhos.

 
 

Os mais felizes, dentre outros de boa qualidade, são inspirados pela mãe. A ela, ...chama exaurida/ à própria sorte a poetisa diz: No supremo acalanto/Solucei a canção/ Molhada de pranto; em bela efusão lírica.

Forte e freqüente motivo no livro é a cidadezinha natal e o rio Quaraí que a banha, com vários momentos altos. Um dos melhores, a meu ver é o Rio do Buraco Fundo um ...rio castigado/ Se derrama e, inundado/ inunda também meu peito/. Igualmente em metro curto, o excelente Sem amarras, no qual a autora vê nas águas Velas içadas/ Círios acesos/ Nas madrugadas, e o seu barco ...sem amarras/ À deriva do vento/ Ao sabor das correntes/ Do pensamento.
Mas Nylza Osório pratica também o metro longo, em sonetos decassílabos, esse metro mor da nossa língua. O soneto, tão criticado pelos modernistas, é uma forma poética em plena recuperação e renovado prestígio. No gênero, vejo exemplares de boa fatura como naquele dedicado a um sonetista experimentado, Getulio Neves, e aquele que homenageia o nosso mestre de todos, o insuperável Camões.

A construção do verso é para o poeta uma catarse, uma purificação, uma libertação. E na sua face externa uma busca de comunicação, algo tão difícil entre os homens, apesar da palavra e do gesto. Com seguro acerto, diz Nylza que ao divulgar seus versos deseja partilha e permanência. É aquilo a que todo poeta aspira: comunhão e imortalidade. O poema só se realiza plenamente quando lido ou ouvido por outrem. E a duração, maior ou menor, dependente de tantas áleas, lhe é de logo assegurada, visto que qualquer verso publicado em livro, apesar da fragilidade do papel, viverá mais do que a mão que o escreveu.

Valeu a pena. Seu verso estará, em breve, partilhando com muitos as suas sentidas emoções, e permanecerá em muitas memórias. Rompeu os grilhões da clausura e do exílio, e galhardamente atravessou o seu Rio Vermelho.



Antonio Carlos Osório

 
 
 

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