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          27 Horas - O Drama do Lotação : : Marina Motta Pessin  
     
 
     
 
27 Horas - O Drama do Lotação
Marina Motta Pessin
ISBN 85 - 7592 - 021-9
ESGOTADO
Relato de acontecimentos vivenciados pela autora, o livro conta, de forma singular, o drama de pessoas confinadas por 27 horas, à mercê de um suposto homem-bomba. A obra retrata a visão e os sentimentos da mesma em relação ao seqüestro do lotação 350, da linha Santana, em 4 de janeiro de 2002, na cidade de Porto Alegre – capital do estado do Rio Grande do Sul.

27 horas – tempo em que a autora esteve limitada ao espaço físico do microônibus – permitiram que, enquanto mantida prisioneira, libertasse os pensamentos. Em seus devaneios, nos conta um pouco de seu passado e de seus sonhos e, é essa presença do passado, com lembranças agradáveis, que impedem que se instalem o medo e o pânico.

Retratadas pelas lentes precisas das câmeras de Edison e Diego Vara, as cenas fotografadas formam uma cumplicidade com o texto e o aproximam mais do leitor, trazendo à memória as monótonas e cansativas 27 horas em que o Lotação permaneceu imóvel, diante do prédio do Instituto de Educação na avenida Osvaldo Aranha.

 
 

Violência versus solidariedade

Mencionar o nome de Marina Pessin é referir-se à solidariedade em pessoa. Talvez seja essa sua característica mais marcante. Aquela que a faz admirada, respeitada e querida por quem tem o prazer de com ela conviver. Normalmente, quem escreve um prefácio ou a apresentação de um livro tece quase como um dever - palavras elogiosas ao autor, mas, no caso de Marina, comentários favoráveis ao seu perfil humano não se esgotam no simples ato de gentileza.

Traduzem o merecimento de uma pessoa que, neste simples e despretensioso, mas muito útil, relato, esboça não apenas a fidelidade a fatos vividos e sofridos, segundo a ótica subjetiva de quem involuntariamente deles participou, mas também exibe a face muito humana de alguém que, ao captar a realidade, cruel, dolorosa, insólita e profundamente indesejável de um seqüestro, como uma de suas protagonistas, está superando o baque psicológico do acontecimento e pode, hoje, contá-lo para que todos nos ajudemos a que nunca mais se repita.

Chama a atenção neste livro a profunda fé religiosa de Marina, demonstrada não só na citação das orações que por ela foram invocadas durante as 27 horas trágicas do fato policial, mas na sua sincera disposição de ser solidária, num momento de grande tensão e até de enorme aflição. Não há no livro qualquer referência recheada de sentimentos menores de vingança, ódio e ressentimento, o que seria natural diante de nossa condição humana, ainda muito afastada dos mais sublimes valores da existência.

0 seqüestro - justificado por motivos ligados à realidade econômica e social do Brasil , como fez seu autor - é sempre uma atitude criminosa, execrável aos olhos das pessoas de bem, de bom senso, que respeitam a dignidade humana e a vida. 0 fato em si, condenável por todos os aspectos, não precisa ensejar que venhamos a nutrir o lado mais obscuro que todos trazemos no íntimo, aquele com que facilmente condenamos os outros, muitas vezes nos negando a fazer autocrítica.

Vale muito este livro como lição e como memória para que nos esforcemos muito e muito mais do que temos feito para banir atos de violência, não apenas pela repressão das instituições policiais, mas, acima de tudo, pelo esforço de ajudarmos a formar uma sociedade socialmente mais justa, mais próspera e mais digna de acolher a todos, sem distinção, sob hipótese alguma.

Porto Alegre, 20 de outubro de 2003

Roque Jacoby
Secretário de Estado da Cultura

 


 
 
 

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