As
palavras, em todo o transcorrer do livro de Paulo Bertoletti,
vêm do mais íntimo de sua alma, do fundo do sótão;
vêm, também, das luzes geladas pelo verso de um
homem apaixonado.
O poema “Dor” é toda a síntese do
livro, o homem perdido em seu coração e seu universo:
perdido em sua existência terrena, humana e, sobretudo,
acha-se perdido nos íngrimes dias, total aridez:
Ouço
passos no corredor
Devem ser os passos
Da minha própria dor
Neste
exato momento
Sou completamente exílio
No abandono do
Meu próprio ser
No
entanto, é também neste ambiente que o Poeta se
consola e se reconstrói. Sacode-se da poeira e teias
velhas e nota que o horizonte é logo ali. Não
mais uma miragem, mas um oásis possível. Isso
é que torna a Poesia um encantamento. E de versos tocados
de paixão é que este Do fundo do coração
está repleto.
Rossyr
Berny – Editor
De
onde vem a Poesia de Paulo Bertoletti
Do
fundo do meu coração
Vem esta chama ardente
Este fogo incandescente
Que explode em calor
P.B.
O
excerto acima mostra bem o lugar de onde vem a poesia de Paulo
Bertoletti: Do fundo do coração. É uma
poesia visceralmente amorosa e desamorosa a um só tempo.
Vem do negro, ausência de cor – ao branco, a soma
de todas as cores. Seu poetar toma as inumeráveis matizes
para falar de sua dor, da amada que desama, dos dias rigorosos
em cobrar a preço de ouro o respirar.
É uma poesia simples como a vida, marcada de altos e
baixos, com momentos em que o verso é lava incandescente,
recém explodida dos vulcões, a correrem nas veias
e artérias do poeta, da poesia. Por isso entendemos que
sua força lírica vem Do fundo do coração.
Veja que, já final do mesmo poema, que dá título
ao livro, Paulo Bertoletti, recupera-se do sofrer e confessa,
exultante:
“Mas as lágrimas logo cessaram
No dia em que te reencontrei
E as cores do amor acordaram
A felicidade que sempre procurei”
E todo o transcorrer do livro, como o passar dos dias no mundo,
os corações brilham e escurecem, amam e esquecem,
partem e voltam, escrevem e entregam à vida os seus versos,
para deixarem menos bélico o Planeta.
Nelson
Fachinelli
Pres. da Casa do Poeta Rio-Grandense