Recentemente,
assistindo a um filme, ouvi, de um dos personagens, a seguinte
frase, por ele atribuída a Ezra Pound: “qualquer
homem tem o direito de ‘cometer’ poesias, mas
o pecado é publicá-las”. Embora não
possa garantir a autenticidade da mesma, concordo integralmente
com ela e por isso nunca pensei em publicar (um livro de)
poemas. Apenas, durante toda a minha vida, como um fotógrafo
que grava, através de suas lentes, momentos, vivências,
pessoas e situações, eu tentei registrar meus
sentimentos, emoções e pensamentos em instantes
importantes ou decisivos. Esse procedimento sempre me serviu
como um desabafo, uma maneira de enfrentar e superar a tristezas
e celebrar o amor, a alegria e a amizade.
Do
mesmo modo como acontece com quem junta velhas e novas fotografias
numa caixa em algum canto, a maioria delas se perdeu, em
parte por desleixo meu, em parte pela ação
do tempo e das mudanças de domicílio, mas
principalmente, porque, inconsciente ou conscientemente,
eu não desejava preservá-las, visto que elas
já haviam cumprido sua tarefa. Assim, o presente
livro é na realidade um álbum de instantâneos,
alguns amarelecidos pelo tempo, outros mais recentes; poucas
vezes, com as cores alegres da aurora, algumas, com as nostálgicas
do entardecer, e muitas, com o branco e preto da realidade
crua.