LIVROS
:: FERNANDO CALLAGE - Cena & Palavra ::
Magda Cidade & Christina Dias
   


Magda Cidade nasceu em Porto Alegre em 1946. Iniciou os estudos em desenho no Instituto de Belas Artes em 1962. Retratista em crayon, bico de pena e óleo sobre tela. Estudos em pintura à óleo (paisagem e natureza morta) sobre tela, com Vera Prestes e com o paulista Alexandre Reider. Estudo da técnica acrílico sobre tela, com Clara Pechanski. Poeta. Bacharel em Direito, turma de 1977, Faculdade Ritter dos Reis.

Christina Dias nasceu em Porto Alegre em 1966. Sua primeira publicação em livro foi Conversa com Verso, antologia de poetas gaúchos o qual também organizou. em parceria com Marô Barbieri. A segunda experiência foi O Quadro de Andréa, conto infantil, ilustrado por Rodrigo Rosa, com indicação para o Prêmio Açorianos de literatura Infantil, em 2004. No mesmo ano participou da oficina de criação literária de Cíntia Moscovisch e ingressou na Editora Casa Verde, nas coletâneas Fatais e Contos de Bolso. Atualmente leciona literatura para adolescentes e realiza oficinas de formação de leitores em diversas escolas do Estado. É formada em Letras pela UFRGS e acadêmica de Direito.

 

Magda Cidade


Cristina Dias




APRESENTAÇÃO:

Tenho uma satisfação toda especial, como santamariense e gaúcho, em apresentar o livro Fernando Callage – Cena e Palavra, de autoria de Magda Cidade, sobrinha-neta do escritor, e de sua filha Christina Dias.
Já de início diria: que feliz idéia! Um país só amadurece culturalmente quando começa a reavivar sua própria memória, e se preocupa com sua identidade regional e nacional. Só assim pode dialogar com outras culturas. O diálogo existe quando um eu se aceita diferente de um tu, nascendo entre ambos um intercâmbio, que em nenhuma hipótese deve abolir a diferença.
Repito: feliz idéia! Magda e Cristina voltaram-se para a própria família, em cujo seio nasceram dois irmãos intelectuais, Roque e Fernando Callage. Ambos deixariam um belo legado ao seu Estado e ao seu país.
Quem, entre as novas gerações, é capaz de fazer uma idéia aproximada do valor de uma personalidade como a de Fernando Callage?
O ato de carinho familiar das duas autoras resultou num ato de respeito e admiração por um escritor, cuja produção literária abrange oito livros, alguns de sociologia, outros de história – como Revolução dos Farrapos e Episódios Históricos da Revolução dos Farrapos –, outros de descrições de costumes e paisagens, como Através do Rio Grande do Sul.
Pessoalmente, tenho uma dívida de gratidão particular, em relação a Fernando Callage, por ter sido ele um dos primeiros, no Rio Grande do Sul, a interessar-se pela Questão Social sob o ponto de vista do Catolicismo, abordando, numa época em que esses temas não eram do domínio público, a Encíclica Rerum Novarum de Leão XIII, um dos textos mais lúcidos e decisivos sobre a condição operária.
Há outra originalidade no presente livro: a participação das autoras, que não se limitaram – como elas dizem – a “resgatar” a obra do antepassado ilustre, mas nos oferecem, também, sua própria criatividade, na linha da família Callage, que continua a surpreender-nos com a produção cultural de seus descendentes.
As pinturas de Magda possuem o sabor regional, que corresponde ao tom dos trechos selecionados. Mostram um certo ar de pintura naïve, que combina com o timbre evocativo do autor. As cores são alegres, embora envoltas numa espécie de nebulosidade, explicável, talvez, pela presença, ubíqua e clandestina, da saudade.
Que agradável surpresa os textos de Cristina! A idéia de fazer anteceder, aos textos de Fernando, um texto atual, de uma escritora de outra geração, confere uma espécie de charme à obra. Até porque Cristina tem pulso de escritora e, de repente, como no texto “Ser Gaúcho”, exibe seu talento: “O gaúcho é um só, não importa onde esteja. Passando pelos campos, vivendo na cidade, em cima de um cavalo ou a pé. Em qualquer lugar a vida do gaúcho é própria. Tem palavras que só gaúcho usa. Tem roupas que só gaúcho veste. E os sentimentos? Há alguns que só gaúcho tem”.
Que Fernando Callage, figura insigne de nossa terra, que tanto amou o Rio Grande, volte a conviver conosco! É para isso que os mortos existem! Sim... enquanto esperam a ressurreição prometida por Alguém que é maior do que nós.

Armindo Trevisan



Um nome assinava esses escritos: Fernando Callage.
O condutor dessa viagem. Dono do tesouro que se insinuava na nossa frente. Se oferecia.
Crônicas, cartas, romances. Histórias reais e imaginárias com uma nova melodia, Fernando abria suas palavras para uma outra leitura. Há quanto tempo não era lido? O que acontece com as palavras e seus escritores quando adormecem por tanto tempo? Sentíamos que tínhamos o papel de abrir cada uma destas histórias e começar um novo tempo para Fernando Callage. Reconstruir o nosso passado era acordar memórias. Esses livros foram escritos para que nessa hora pudéssemos recordá-lo e, enquanto lhe oferecemos novos olhos para seus textos, escrevemos uma história que ainda não foi contada. Nem vivida. Quanto ainda temos para compartilhar? Resignificamos Fernando enquanto ele nos cobriu de significado. Agora somos um só. Passado e presente se encontram onde tudo inicia.
Aquele tesouro virou um túnel de lembranças e construções futuras. O elo de descobertas.
Aceitamos o convite e iniciamos a viagem.

Christina Dias

* * *


Que feliz idéia! Um país só amadurece culturalmente quando começa a reavivar sua própria memória, e se preocupa com sua identidade regional e nacional. Só assim pode dialogar com outras culturas. Magda Cidade e Cristina Dias voltaram-se para a própria família, em cujo seio nasceram dois irmãos intelectuais, Roque e Fernando Callage. Ambos deixariam um belo legado ao seu Estado e ao seu país.
Que Fernando Callage, figura insigne de nossa terra, que tanto amou o Rio Grande, volte a conviver conosco! É para isso que os mortos existem! Sim... enquanto esperam a ressurreição prometida por Alguém que é maior do que nós.

Armindo Trevisan

ESGOTADO

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