:: ROSSYR BERNY - Academia Rio-Grandense de Letras ::
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Rossyr Berny
 Posse e afastamento de Rossyr Berny da Academia Rio-Grandense de Letras.

(Imagens: Gains/ Getúlio Vargas 1000/402 - F. 32321724)
CARTA-DENÚNCIA enviada à Diretoria e demais componentes da Academia Rio-Grandense de Letras. Esta, ao invés de mover a Academia rumo ao respeito estatutário, promoveu a exclusão do então Acadêmico Rossyr Berny.
 


Porto Alegre, 27 de novembro de 2003.
Excelentíssimo Sr. Hugo Ramirez
MD Presidente da Academia Rio-Grandense de Letras
Sr. Presidente:

Em maio e outubro de 2001, concorri a uma vaga nesta Academia, na Cadeira n° 1, vaga pelo Dr. Lenine Nequete, não conseguindo vitória por maioria absoluta, como exige o Estatuto acadêmico.
Em nova eleição, em julho de 2003, consegui ser eleito para a Cadeira n° 5, antes ocupada pelo imorredouro Barbosa Lessa, alcançando a indispensável maioria absoluta (50% + 1). Foram 23 votos a favor e nenhum contra.
Até eu buscar o ingresso nesta Academia, bastava ao candidato alcançar apenas a maioria simples dos presentes às sessões. Não valeu, no meu caso, esta facilidade, que nunca me interessou. Serei eu o primeiro eleito dentro das rígidas normas estatutárias na história da Academia? Parece-me que sim.
Ficou claro, após minha eleição, que o Estatuto passaria a ser, finalmente, respeitado.
Para surpresa geral, e em atropelo ao referido Estatuto, houve a seguir a eleição ilícita de quatro candidatos, por atacado, sufragados apenas com a maioria simples dos presentes a uma reunião ordinária, sem propósito eletivo.
Preciso dizer que minha indignação é contra o procedimento errado do ato eleitoral, e não contrário aos eleitos, todos respeitáveis. E, talvez, não tenham eles a noção de que foram eleitos mediante um processo eleitoral viciado e discriminador.
Lembro que, em reuniões acadêmicas, o senhor Presidente foi alertado várias vezes por colegas de que não havia lisura neste proceder eleitoral, afrontando autoritariamente o Estatuto da Entidade, em total vigência.
Em uma Academia os eleitos precisam ingressar pela porta da frente e não pela porta dos fundos, ardilosa e ilegitimamente.
Consultei diversos colegas acadêmicos e todos estão horrorizados com o acontecido, inclusive por não terem recebido a devida convocação para as eleições. Está em jogo a honra da Academia Rio-Grandense de Letras, a qual não pode receber esta mácula mal cheirosa, promovida por um ou outro acadêmico com interesses escusos.
Desta forma, senhor Presidente, como principal injustiçado por esta atitude discriminadora, venho encarecer-lhe o cancelamento das posses dos referidos eleitos. Solicito este procedimento no âmbito interno da Academia - para que esta injustiça não se torne pública, o que deporia muito contra a nossa Entidade.
Por fim, não temam as idéias engajadas, combativas, de postura social e responsável do poeta e escritor Rossyr Berny. Não há razões para discriminá-las. São idéias do bem para o bem geral. Estou certo que meu repúdio será observado por esta Diretoria, realizando novas eleições, pois não gostaria que esta questão tomasse outros rumos. Não cessarei minha revolta enquanto a justiça não for reinstalada.
Respeitosamente,

Rossyr Berny - Acadêmico
P.S.: Cópias desta correspondência foram entregues a todos os senhores acadêmicos.


Procurado por um grande jornal de nosso Estado, foi publicada entrevista com Rossyr Berny no dia 20 de dezembro de 2003. Por falta de espaço no diário, ficaram de fora declarações importantes a serem divulgadas agora. Só estou divulgando esta história toda porque muitas pessoas entenderam os fatos de maneira nebulosa.


 
A CARTA-DENÚNCIA. Em 27 de novembro foi entregue a carta de repúdio à Diretoria e demais acadêmicos pelo ingresso irregular de novos acadêmicos, uma vez que com Rossyr fora exigido todo o rigor estatutário. Em 10 de dezembro a referida carta foi discutida pelos acadêmicos, os quais, receosos de tomarem decisão, delegam à Diretoria o desfecho do caso. E esta, também omissa, delega ao Presidente a decisão pessoal do veredito. Enfim, um único e rancoroso voto exclui a unanimidade de 23 votos que elegeram Rossyr Berny. Não se tem notícia na história de academias do Brasil, a exclusão de algum membro, muito menos por denunciar irregularidades e discriminações. Esta atitude lembra a história do marido traído que chega em casa e toca fogo na cama de sua casa, local da perfídia.
INÍCIO DA DISCÓRDIA. Em verdade, conhecido como escritor e poeta de vanguarda, antibélico e revolucionário, comprometido com a questão social do país e do fazer literário, Rossyr já enfrentava resistência por parte de membros mais conservadores.
O DISCURSO DE POSSE. Tendo estudado dezenas de discursos anteriores ao seu, em publicações da Academia, o eleito optou por dar às suas palavras de posse um viés de contemporaneidade. Já no momento de seu discurso de posse um acadêmico solicitou ao Presidente que lhe cassasse a palavra, considerando o discurso por demais revolucionário e político.
A INVEJA MATA E EXCLUI. Rossyr cometeu o pecado de ter recebido o maior número de votos dados a um eleito; ser o único a ingressar sob o rigor do estatuto acadêmico, ou seja, pela porta da frente da entidade, o que parece nunca ter ocorrido com nenhum outro; ser eleito ainda produtivo e longe da senilidade, com 50 anos e 16 livros publicados... Ah, isso é intolerável; recebeu a maior presença de público e amigos em todas as posses já ocorridas. (Após a cerimônia de posse havia um Acadêmico, incrédulo, conferindo o número de pessoas e assinaturas no Livro de Presença. Era impossível que aquele moço trouxera muito mais público do que ele. Mas ele se vingaria escrevendo as razões da necessária e futura exclusão).
ACADEMIA DE LETRAS SEM LETRAS. Choca muito notar que numa academia de LETRAS exista tão poucos ESCRITORES, homens dados ao ofício severo da criação literária. Há professores, historiadores, médicos, cidadãos de boa índole e vários sem nenhum livrote publicado, por primário que seja. Ah, há muitos acadêmicos com registro na OAB, muitos, muitos, muitos... Escritores de valor, atuantes, poucos, poucos...
FALSO BRILHANTE
- A Academia poderia ser processada por “propaganda enganosa”, pois vende a idéia de seriedade, comportamento digno, reduto de qualidade literária indubitável a quem é um dos seus 40 ‘imortais’. Uma vez eleito e empossado, as reuniões e procedimentos acadêmicos a despem de seriedade, sobretudo na “eleição” de seus membros. A convivência a desnuda de qualquer resquício de verdade. Enfim, vende sua imagem como um brilhante de alto quilate para depois deixar cair a máscara e mostrar-se uma reles bijuteria.

“IMORTALIDADE SUSPENSA” E “IMORTALIDADE SUSPEITA”
- A imortalidade só pode ser suspensa se de fato existir, mas se ela é inexistente ou suspeita de falsa, farsa, já nasce morta. É o caso de parte dos acadêmicos, alguns sem um livreto publicado e muitos sem obra consistente, pois ingressam sem nenhum critério de seriedade. É algo risível: pai que promove ingresso de filho; primo que elege primo; compadre que elege compadre... Uma lástima. “Imortalidade suspensa” é uma das manchetes que noticiou a exclusão de Rossyr Berny da Academia. É bom destacar, também, a “Imortalidade suspeita” de inúmeros confrades em uma entidade de tão pouca valia.
 

Veja mais algumas fotografias e o discurso que Rossyr fez no dia de sua posse em Agosto de 2003.



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