Sempre a afirmativa
lírica, desejosa, compensatória dos desamores. Alias, Rossyr Berny é o poeta
dos desamores, do sofrer com o amor impossível, a ponto de generalizar ao
universo a sua visão pessoal. Veja-se o seu livro "Desuniverso", de 1978, o
segundo de uma trajetória iniciada com "O Homem-Autômato", de 1976.
Esta diferença ótica,
de visão do mundo dissoluto, do amargor intrínseco à criatura humana, faz de
Rossyr Berny um criador poético gauche. Aplica-se finalisticamente a
Rossyr o que Carlos Drummond de Andrade em sua poesia – coloquialmente –
criava para si e que se universaliza para o andar no mundo daqueles que, por
correrem à margem dos parâmetros de normalidade, baliza a ótica surreal dos
condenados a pensar : "Vai Carlos, vai ser gauche na vida."
O "tsunami" começou
cedo em Adão Rossir Berny de Oliveira, menino rico de vivências suburbanas em
São Gabriel, caminhos da fronteira oeste, onde as diferenças sociais são
ciclópicas e só tem vez o latifúndio e seus donos.
É claro que o
vocábulo nem existia nos idos da década de sessenta, quando o espiritual
entronizava o poeta após as primeiras letras e lhe coçava o bolso à busca de
alguns pilas pra comprar guloseimas.
Tsunami, o fenômeno
marítimo que dizimou duzentas e cinquenta mil pessoas na Ásia, ocorrido no
final de 2004 (“2005 inaugura-se / regurgitando corpos asiáticos às praias) e
que confrangeu o mundo, entranhou-se também, nas "juntas" de pés e mãos do
menino carente de São Gabriel. Os medos, as necessidades vitais, a urgência da
paz para um mundo permanentemente em guerra (por valores comezinhos
espiritualmente), a ação. destruidora do fenômeno marinho fez com que o poeta
desse ao livro o titulo "Meu Amor Tsunami". Dicionariza o poeta o barbarismo,
adotando-o em sua dialetal alienígena, a grafia nas letras brasileiras. E o
curioso é que ele acopla a barbárie fenomenológica ao
AMAR.
Conota e denota o
quanto a perda da amada corrompe, macula, afunda e destrói os seus valores de
posse na concepção mais fática e machista.
"Cadê o amor que estava
aqui no peito?
Agora cremado não é nem
mais cadáver
para exumação e
autopsia
Teria mesmo existido
ou só foi falso
braseiro o tempo todo?"
("O céu que estava aqui', pág. 80)